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7 de setembro de 2023

Seremos capazes de ouvir as baleias?

A inspiração é a chave. Se pudéssemos comunicar com os animais, fazer-lhes perguntas e receber respostas – por mais simples que essas perguntas e respostas possam revelar-se – o mundo poderá em breve ser motivado o suficiente a, pelo menos, iniciar um processo capaz de deter a destruição descontrolada da vida.

As palavras acima são do biólogo estadunidense Roger Payne e aparecem na reportagem “Can We Talk to Whales?” (“Seremos capazes de conversar com baleias?”), recentemente publicada na revista New Yorker. Payne trabalha na Iniciativa de Tradução de Cetáceos, criado em 2017. A sigla do projeto em inglês é “Ceti”, lembrando propositalmente “Seti” (Search for Extraterrestrial Intelligence), cuja tradução é “Busca por Inteligência Extraterrestre” e está em operação desde os anos 1980.

Mas enquanto o Seti procura inteligência nas estrelas, o Ceti volta seus esforços para gravar a linguagem usada pelas baleias cachalotes. As gravações estão sendo feitas na ilha caribenha da Dominfica. Com caráter interdisciplinar, a iniciativa inclui biólogos e linguistas, mas também pesquisadores de inteligência artificial (IA), robótica e computação.

Pois é, não se trata de entrar em contato com possíveis civilizações alienígenas como nas obras de ficção científica, mas robôs e cérebros eletrônicos também estão envolvidos.

Os robôs são, principalmente, para capturar os sons nas enormes profundidades a que chegam as baleias. A inteligência artificial, para dar conta das milhares de combinações possíveis na enorme massa de áudios já captados.

Agora, é torcer para que das profundezas oceânicas nos cheguem bons conselhos sobre como poderemos escapar das catastróficas confusões ambientais que estamos provocando. Isso se não fizermos ouvidos moucos, claro.

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