No 100º ano da morte de Lênin, é importante destacar uma de suas obras mais importantes: “O Estado e a Revolução”.
Em seu livro “Lênin: Responding to Catastrophe, Forging Revolution“, Paul Le Blanc lembra que a obra foi escrita a partir de algumas conclusões de Marx e Engels sobre a experiência da Comuna de Paris. A mais importante delas, a de que a dominação política pela classe trabalhadora exigiria uma nova máquina estatal radicalmente democratizada.
No livro, Lênin diz:
A partir do momento em que todos os membros da sociedade, ou pelo menos sua grande maioria, aprenda a administrar eles próprios o Estado, tomem este trabalho nas suas mãos, organizem o controle sobre a insignificante minoria capitalista, sobre a pequena nobreza que deseja preservar seus privilégios e sobre os trabalhadores que foram completamente corrompidos pelo capitalismo – a partir deste momento, a necessidade de qualquer tipo de governo começa a desaparecer completamente.
Além disso, o líder bolchevique afirma: “Para Marx, o proletariado precisa apenas de um Estado que esteja constituído de tal forma que comece a definhar imediatamente”. Infelizmente, até hoje, isso nunca se concretizou.
Mas Lênin jamais concluiu a segunda parte de “O Estado e a Revolução”. Em um posfácio à obra, escrito em novembro de 1917, logo depois da vitória dos sovietes, ele explica o motivo:
A redação da segunda parte deste panfleto (...) provavelmente terá de ser adiada por muito tempo. É mais agradável e útil viver a “experiência da revolução” do que escrever sobre ela.
Quanto a isso, Lênin tinha toda razão. Muito melhor que teorizar sobre revoluções, é realizá-las.
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