Nomofobia. Trata-se de um distúrbio patológico que atinge a todos, sem distinção de classe, cor, sexo, religião, nacionalidade, ideologia, preferências político-partidárias. Alvinegros, rubro-negros, tricolores, alviverdes, esquerdistas, bolsonaristas, todos são igualmente afetados.
Não há grupo de risco porque o perigo é global. Literalmente. São poucos os lugares do mundo imunes à nomofobia, a não ser pela rara condição de estarem isolados dos elementos que a causam. Os sintomas são ansiedade, desorientação, sensação de inutilidade, vazio mental, dificuldade de refletir sobre assuntos complexos e até sobre coisas mais banais.
Apesar disso, governos e organizações internacionais de saúde pública não parecem preocupados com essa pandemia que se alastra sem alarde. Nomofobia vem do inglês “no-mobile”: “sem celular”. É a ansiedade provocada pela privação do acesso ao celular. Uma espécie de síndrome de abstinência causada pela desconexão das redes virtuais.
É preciso ocupar todos os sentidos com imagens, sensações e sons fragmentados e ininterruptos. Na fila, na condução, cozinhando, fazendo faxina, nas inúmeras tarefas cansativas, mas sem sentido. Há que haver palestras, entrevistas, tramas, fantasias. Tudo reproduzido de modo vertiginoso, em horário integral.
O silêncio, a contemplação ou a simples conversa tomam tempo que precisa ser totalmente entregue à exploração econômica acentuada e ao consumismo acelerado. É necessário inviabilizar o pensamento, a reflexão e o debate racional, que podem servir para entender melhor e, talvez, combater essa realidade cada vez mais opressora do cotidiano capitalista.
Na verdade, a nomofobia é só um sintoma. Ela deriva da dependência das redes virtuais, que, por sua vez, fazem parte do implacável processo de acumulação capitalista. Este, sim, a grande moléstia contemporânea.
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