Lênin referiu-se pela primeira vez ao conceito de “autocrítica” no livro “Um Passo em Frente, Dois Passos Atrás”, ao afirmar que o partido deveria adotar uma "autocrítica e exposição implacável de suas próprias deficiências". Já na obra “Esquerdismo, Doença Infantil do Comunismo”, defendeu que uma organização partidária séria deveria "admitir com franqueza seus erros, apurar suas razões, analisar as circunstâncias que os originaram e discutir exaustivamente os meios de corrigi-los".
Stálin transformaria a prática em arma de perseguição política. Quem desafiasse a burocracia dirigente partidária e estatal era considerado criminoso a ser purgado ou expurgado. A “autocrítica” era individualizada e após sofrerem tortura e extensos períodos de detenção, os acusados muitas vezes confessavam crimes que não haviam cometido. Eram métodos comparáveis aos piores procedimentos da justiça burguesa.
Acabamos de sofrer uma terrível derrota envolvendo Silvio Almeida, referência importante para milhares de militantes de esquerda. Cabe, agora, esperar que a justiça seja feita, sem linchamentos e perseguições. Com amplo direito de defesa, apuração rigorosa e responsabilização severa. As vítimas devem receber total solidariedade e apoio.
Mas os valores emancipatórios e princípios organizativos da esquerda exigem que seja feita uma autocrítica de tipo leninista. Ou seja, reveses e erros são de responsabilidade coletiva e devem ajudar a iluminar o contexto em que surgiram. Não podem se restringir a episódios e indivíduos isolados. É preciso identificar as estruturas e comportamentos que permitiram que os acontecimentos tivessem o desfecho que tiveram e trabalhar para superá-los com radicalidade.
Não podemos nem nos render ao punitivismo típico da estrutura dominante, nem deixar que permaneça aberto o caminho para novos e maiores equívocos.
Leia também: Lênin: o revolucionário que sabia errar
