Doses maiores

Mostrando postagens com marcador anticolonialismo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador anticolonialismo. Mostrar todas as postagens

10 de fevereiro de 2025

Andrée Boulin, heroína da luta anticolonial

O documentário “Trilha Sonora para um Golpe de Estado”, de Johan Grimonprez, é um espetáculo de direção, montagem e música voltado para denunciar a sujeira que os países imperialistas fizeram com o Congo, em 1960.

Em pleno processo de descolonização, o país africano teve seu líder, Patrice Lumumba, deposto e covardemente assassinado. E tudo isso devido a ações de Estados Unidos e Bélgica, utilizando a ONU como instrumento de agressão. Fazendo o papel de fio condutor, o melhor do jazz estadunidense.

Mas uma importante personagem dessa história é Andrée Blouin, militante feminista e mentora intelectual de Lumumba. No verbete da Wikipedia sobre ela, ficamos sabendo que:

Em sua autobiografia, Andrée Blouin afirma que a morte prematura de seu filho foi a principal motivação para se tornar uma ativista política. A morte foi causada por malária e poderia ter sido evitada com a utilização de medicação adequada. Ocorre que Andrée era considerada mestiça, por ter mãe africana e pai europeu, e teve o tratamento médico necessário negado, apesar de ela e seu filho terem cidadania francesa. Andrée, então, lançou uma campanha contra a “Lei Quinina”, que proibia pessoas de ascendência africana na África Equatorial francesa de receber medicação apropriada para tratar a malária.

Perseguida pelas forças imperialistas, teve que fugir do Congo, mas viria a participar dos processos de independência da Guiné e da República Centro-Africana, sua terra natal.

Ou seja, Andrée merece um filme somente para ela, com a mesma qualidade artística e compromisso político da produção de Grimonprez. E, quem sabe, no lugar do jazz, a riqueza e diversidade da música africana.

Leia também: A música negra olha para a luz

15 de julho de 2024

Decolonialismo de extrema direita

O título acima é de um artigo publicado pela historiadora britânica Miri Davidson. O texto está em inglês, mas pode ser lido por tradução automática.

Não deixa de ser surpreendente vincular a extrema direita a um movimento que combate as tragédias causadas pela dominação violenta de populações inteiras por parte das potências coloniais. Um campo de conhecimento e de luta surgido graças ao empenho militante de forças da esquerda.

Em seu texto, a historiadora cita o caso da extrema direita francesa, que considera a sociedade europeia como vítima de uma “colonização de imigrantes árabes e africanos” que estaria substituindo os “nativos” brancos e cristãos.

Essas teorias também ganharam uma multidão de adeptos nos Estados Unidos. Principalmente, entre os republicanos, com Trump propondo medidas de deportação em massa, caso seja reeleito em novembro.

Enquanto isso, em Israel, Netanyahu usa o genocídio para "descolonizar" os territórios ocupados há milênios por palestinos, defendendo um Estado em que judeus sejam considerados legítimos habitantes e os árabes, invasores.

Mas este processo não é tão recente. Não à toa, o Partido Nazista se chamava Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães. Agora, como antes, a ideia é tirar proveito dos descontentamentos, ressentimentos e revoltas populares diante do funcionamento socialmente destrutivo e contraditório do sistema capitalista. Virar do avesso as manifestações, expressões e palavras-de-ordem antissistema para transformá-las em armas do sistema.

Essa tática, porém, só se torna realmente vitoriosa graças às frustrações deixadas pelas derrotas da esquerda. Em especial, dos setores que ocupam postos governamentais e parlamentares empenhados em se credenciar como salvadores do sistema.

Não existe luta anticolonial de direita. Muito menos, anticapitalismo capitalista.

Leia também: A origem fascista do nazismo de esquerda