Voltando ao tema geoengenharia, no lugar de adotar remendos ambientais que ameaçam piorar o caos ambiental, que tal defender uma espécie de “retroengenharia”?
“Retroengenharia” seria desfazer aquilo que nem deveria ter sido feito. É o caso dos sistemas viários urbanos. Imagine se cada apartamento de um edifício tivesse um elevador próprio. Pois é isso o que acontece quando uma em cada duas famílias utiliza um automóvel para se deslocar nas grandes cidades. Tal como no caso do elevador, muito mais racional seria adotar um sistema de deslocamento únicos e unificado, com diversas entradas e muitos ramais, servindo a quase totalidade da população.
Esse sistema já existe. Chama-se transporte público. O problema é que os investimentos em sua manutenção e ampliação jamais receberam a mesma prioridade destinada à infraestrutura voltada para o transporte individual. Afinal, a indústria automobilística precisa manter e ampliar seus lucros. O mesmo vale para as petroleiras e, agora, para a indústria de componentes para automóveis elétricos.
Mas a simples adoção dessa lógica não é necessariamente positiva. Os primeiros computadores pessoais eram máquinas isoladas, cheias de programas e dados redundantes. Mais tarde, passaram a se comunicar, compartilhando tarefas e informações pela internete.
Claro que houve ganhos de racionalidade, rapidez e eficiência. Mas para quem e com que objetivos? Basta observar como o imenso poder dos monopólios que controlam os dados e algoritmos provoca um enorme estrago social e econômico.
O motor do atual sistema são os lucros em benefício de uma elite cada vez menor. A engenharia que não funciona para a grande maioria da humanidade é a do capitalismo. Retroengenharia nele!
Leia também: Geoengenharia: falsa solução para a crise climática
Blog de Sérgio Domingues, com comentários curtos sobre assuntos diversos, procurando sempre ajudar no combate à exploração e opressão.
Mostrando postagens com marcador geoengenharia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador geoengenharia. Mostrar todas as postagens
3 de junho de 2024
29 de maio de 2024
Geoengenharia: falsa solução para a crise climática
Em 27/05/2024, Ronaldo Lemos publicou o artigo “Chegou a hora da geoengenharia?”, na Folha. Segundo o colunista, geoengenharia é a “ambição de interferir no clima do planeta em escala global, para corrigir o curso do aquecimento e das mudanças climáticas”.
Por exemplo, espalhar silicato em grandes extensões da superfície do planeta para acelerar o processo de remoção de CO2 da atmosfera. Ou lançar escudos refletores no espaço para diminuir a incidência da luz solar.
Na verdade, o objetivo é deixar em paz os grandes geradores de gases de efeito estufa, já que tudo seria corrigido por soluções extravagantes como essas. Produtores de combustíveis fósseis, desflorestadores e queimadores de vegetação agradecem o empenho.
Apesar do título do artigo, a geoengenharia já foi um dos principais temas tratados na Conferência Rio+20, ocorrida em 2012. Desde então, a indústria e alguns setores da academia continuam a insistir na geoengenharia como solução. Solução para seus negócios, não para a grande maioria da população do planeta.
Intervenções em larga escala no meio ambiente envolvem inúmeras variáveis. Podem resolver um problema e desencadear muitos outros. Uma ação em certa região do planeta ameaça desequilibrar as condições climáticas em outras.
Algumas formas de energia sustentáveis até podem ser consideradas uma forma amenizada de geoengenharia. Mas nada substitui a necessidade de diminuir as altas emissões de carbono.
O pior é que a geoengenharia usa como pretexto para se justificar as cada vez mais frequentes tragédias ambientais, como a que atingiu as terras gaúchas. Típico caso de solução que faz parte do problema. Como tudo o que tenta manter intacta a insustentabilidade capitalista.
Leia também: A rebimboca climática da geoengenharia
Marcadores:
capitalismo verde,
ecossocialismo,
geoengenharia
Assinar:
Postagens (Atom)

