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4 de julho de 2024

A mão pesada do planejamento nas corporações capitalistas

Em seu livro “The People's Republic of Walmart”, Leigh Phillips e Michael Rozworski demonstram que praticamente todos os grandes monopólios capitalistas adotam a planificação econômica em seu modo de organização. Algo parecido com o que faziam os soviéticos, por exemplo.

Mas uma grande corporação tentou fazer diferente. Entre 2010 e 2017, quase 2.300 lojas da Sears fecharam. O motivo? A desastrosa decisão do presidente da varejista de desagregar suas divisões em unidades concorrentes, criando um mercado interno.

A ideia era usar a Sears como uma grande experiência para mostrar que a “mão invisível” da livre concorrência superaria o planejamento central típico de qualquer empresa. O problema é que as diferentes unidades caíram em uma selvagem competição entre si, pouco se importando com a empresa como um todo.

O fato é que mesmo os mais fervorosos defensores do mercado livre preferem o planejamento à liberdade de mercado quando se trata da gestão de grandes corporações privadas. Mas trata-se de um planejamento autoritário. Tudo é definido rigidamente nas organizações capitalistas, desde a distribuição do dinheiro entre os departamentos até o tempo exato necessário para montar um hambúrguer. E em todos os casos, o planejamento determina qual trabalhador individual fará qual tarefa, quando, onde e como.

Os enormes lucros dessas empresas mostram que o planejamento econômico também pode funcionar para a sociedade como um todo, desde que voltado para o bem comum, aproveitando os avanços da cibernética e com os meios de produção sob controle dos trabalhadores.

O planejamento estatal é incompatível com o capitalismo, não com a administração socializada das necessidades, capacidades e potencialidades da sociedade humana.

Leia também: A República Popular do Walmart

29 de junho de 2024

A República Popular do Walmart

“O Walmart poderia ser uma conspiração socialista secreta?” Esta intrigante questão foi feita pelo crítico literário estadunidense e marxista Fredric Jameson no livro “Arqueologias do futuro”. Ela aparece em uma nota de rodapé e não chega a ser desenvolvida pelo autor.

Mas os jornalistas e pesquisadores Leigh Phillips e Michael Rozworski usaram a provocação de Jameson como inspiração para escrever “The People's Republic of Walmart” (“A República Popular do Walmart”). Publicado em 2019, o livro ainda não tem edição em português.

Rozworski e Phillips lembram que o varejista emprega mais trabalhadores que qualquer outra empresa privada. Se fosse um país, sua economia seria do tamanho de uma Suécia ou de uma Suíça. O que interessa a eles destacar, porém, é que o Walmart funciona como uma economia nacional planificada semelhante à adotada pela União Soviética no auge da Guerra Fria.

Além disso, arrematam os autores, a rede varejista é apenas um caso entre centenas de empresas multinacionais igualmente gigantes. Todas elas funcionando como economias planificadas, pelo menos internamente.

Ou seja, o objetivo do livro é mostrar que, ao contrário do que dizem os neoliberais, a economia planificada não é uma aposta equivocada dos socialistas. Uma proposta que o fracasso soviético teria provado ser inviável. A maior evidência  disso é que os maiores campeões do capitalismo a adotam em sua organização interna.

Portanto, a provocação de Jameson faz sentido. O Walmart seria uma demonstração de que a economia planificada é possível. Principalmente, com as recentes inovações em cibernética e inteligência artificial, que poderiam ser colocadas a serviço de uma sociedade verdadeiramente socialista.   

Voltaremos ao assunto.

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