sábado, 21 de setembro de 2013

"A vidraça", de Lincoln Secco

A Vidraça
é uma agressão
Olhar cobiçar
Não por a mão!
(Ciro)

Vários setores de esquerda reproduzem um tom cada vez mais ameaçador contra o “vandalismo” em manifestações.

O clima de apoio à violência das ruas começou a virar. Se no auge das manifestações de junho parte expressiva da população se colocou contra a violência policial e defendeu o  direito dos manifestantes até mesmo usarem autodefesa, agora é a própria esquerda que ataca os “vândalos”. Mas como a violência é o substrato de toda política, a ausência do direito de autodefesa devolve à polícia o direito de violentar os manifestantes.

O caráter “pacífico” de manifestações de rua não é resultado dos céus e sim de uma relação de forças. Os manifestantes aceitam a violência da vidraça e, assim, PMs sem identificação na farda “permitem” o desfile pelas ruas em roteiro definido para não “atrapalhar” o trânsito. O que aconteceu em junho é que a relação de forças mudou e as vidraças violentas do luxo capitalista perderam espaço para as pessoas. Mas isto durou pouco.

Agora, com apoio da  esquerda, vamos retornar às letais balas de borracha ou “avançar” para balas democrático-populares do governador petista da Bahia, Jacques Wagner, o qual defendeu os “tiros de advertência” que seu subsecretário de segurança lançou contra o MST.

Quanto à esquerda, reproduzo a mensagem do poeta que assina a epígrafe acima:

“Por que diabos não podemos aceitar que o anarquismo existe, e que dialoga com a massa em momentos de lucidez e horror, e que não tem programa porque o ‘etapismo’ é chato, a ‘revolução permanente’ não tem fim e o ‘acúmulo de forças’ é cansativo?”


Lincoln Secco

2 comentários:

  1. Olá , SErgio Bela provocação.
    Acho que a questão não é aceitar que existe, mas sim usar a violência para expropriar a burguesia e não para morrer ou ficar cego na mão da polícia por causa de uma vidraça. O PSTU, partido que polemizou com os black block, foi o primeiro a fazer isso e também o primeiro a defender que eles têm o direito de fazê-lo. E quando os meninos foram presos, foi o primeiro a lançar uma campanha em sua defesa. Para mim foram coerentes. Abr

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    1. Oi, Lorene, o texto não é meu, mas concordo com ele. Vou repassar seu comentário pro autor.
      Abraço!

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