segunda-feira, 7 de agosto de 2017

As intersecções da dominação capitalista

Tem ganhado importância dentro da esquerda a ideia de interseccionalidade. O conceito diz respeito ao “acúmulo” de opressões que recai sobre certos setores sociais, muitos deles bastante amplos.

As mulheres negras, por exemplo, sofrem não apenas com o racismo e o machismo, mas também podem ser alvo de homofobia, caso sejam homossexuais. São as intersecções da dominação capitalista.

Mas há quem considere o conceito uma invenção pós-moderna que tenta isolar a luta contra as opressões do combate à exploração de classe.

No artigo “Uma agenda marxista para a interseccionalidade”, publicado no blog Junho, Sharon Smith mostra que trata-se de um equívoco. A ideia surgiu do feminismo negro. Em especial, nos Estados Unidos.

Já no século 19, as feministas negras estadunidenses procuravam mostrar que a exploração de classe atravessa a luta feminista, diferenciando sua situação daquela vivida pelas mulheres brancas.

Sharon também destaca a importância de Claudia Jones e Angela Davis, que “desenvolveram o conceito de opressão da mulher negra como algo que encadeava as experiências de raça, gênero e classe”.

Para ilustrar como a interseccionalidade pode ser combativa, ela cita documento do “Coletivo do Rio Combahee”, grupo de feministas negras e lésbicas sediado em Boston e atuante nas décadas de 1960 e 1970.

...não estamos convencidas de que uma revolução socialista que não seja uma revolução feminista e antirracista irá garantir nossa libertação. Ainda que tenhamos um acordo essencial com a teoria de Marx conforme ela foi pensada para as relações econômicas específicas que ele analisara, nós sabemos que sua análise deve ser ampliada para que consigamos entender a nossa situação econômica específica enquanto mulheres negras.

Leia também: O estupro como arma racista

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