sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Jornada de trabalho e vampirização de almas

Declaramos que a limitação da jornada de trabalho é a condição prévia, sem a qual todas as demais aspirações de emancipação sofrerão inevitavelmente um fracasso.

Esta frase é de 1866 e está no documento de fundação 1ª Associação Internacional dos Trabalhadores. Seu autor foi Karl Marx, para quem retomar o tempo que os patrões roubam dos trabalhadores sempre foi fundamental.

Desde então, lutas e sacrifícios de várias gerações de explorados conseguiram reduzir a jornada de trabalho em grande parte do mundo.

No entanto, os capitalistas não brincam em serviço. Ao contrário, somos nós que continuamos a servi-los até quando pensamos estar nos divertindo. É o que constata, por exemplo, Renan Porto em artigo publicado no portal UniNômade, em 27/07:

O capitalismo já funciona (ou dis-funciona) 24 horas por dia, 7 dias por semana, colocando todo o seu exército para trabalhar, sem qualquer reserva. Todo o tempo está a serviço da produção, o lazer, o sono, a sexualidade. Inclusive quando buscamos nos qualificar para trabalhar, já que hoje a formação é permanente e infinita. Nossos próprios sonhos muitas vezes coincidem com os percursos do capital.

Para confirmar basta olhar para o que muitos de nós fazemos nas horas vagas. É novamente Porto quem dá exemplos:

Netflix, Hollywood, Facebook, Google, academias, lanchonetes e bares, marcas de bebida e alimentos, empresas de tecnologia de comunicação, tudo isso para lucrar depende de margens de liberdade e da produção das subjetividades. Precisam delas como o vampiro precisa de sangue.

Enquanto não dermos atenção também a nossas necessidades subjetivas, junto com o tempo, são nossas almas que o capital continuará a sugar.

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