segunda-feira, 23 de setembro de 2013

A “virtude cidadã” que destroça direitos

“Mundo terá 342 milhões de pessoas em situação de pobreza em 2030”, diz matéria de Lucianne Carneiro, publicada no Globo em 22/09. Refere-se ao relatório “Investimentos para acabar com a pobreza”, apresentado na última Assembleia Geral da ONU, em Nova York.

Entre as muitas informações importantes, uma delas diz que a África Subsaariana deve passar o Sudeste da Ásia como a região com maior número de miseráveis do mundo. Em 2030, diz o estudo, a região deverá responder por 80% deles. Ou seja, ao continente negro não bastou ter seus filhos sacrificados às dezenas de milhões para viabilizar o sistema mais rico e cruel da história humana.

Mas, talvez, o mais surpreendente não sejam tais números. Infelizmente, já nos acostumamos a eles. O que deveria chamar a atenção é esta informação:

Uma das principais fontes de recursos para a redução da pobreza vem da ajuda oficial ao desenvolvimento (ODA, na sigla em inglês). O valor chegou a US$ 148,4 bilhões em 2011 e cerca de dois terços vêm de cinco países: Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, França e Japão.

A filantropia que vem de cima é assim. Aqueles que doam, emprestam migalhas a si mesmos. Sustentam o sistema que lhes garante fartos banquetes. Para cada dólar ofertado pelo seleto grupo do “ODA”, milhares de dólares mantêm e reproduzem uma gigantesca injustiça social no mundo.

É aquela caridade que Gonzagão afirmava matar de vergonha o cidadão. Ou como disse Virginia Fontes em seu livro “O Brasil e o Capital-Imperialismo”, “forja a ‘virtude cidadã’ que destroça direitos em nome da urgência e da miséria”.

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