De: Abel Meeropol
As árvores no sul dão um fruto estranho
Têm sangue nas folhas e sangue nas raízes
Corpos negros nadando na brisa do sul,
Frutas estranhas penduradas nos álamos.
Corpos negros balançando à brisa sulista
Frutas estranhas pendem dos choupos
Cenas pastorais do sul galante
Olhos inchados, bocas retorcidas
Doce e fresco aroma de magnólias
E súbito o cheiro de carne queimada
Aí está um fruto para os corvos bicarem
Para a chuva encharcar, para o vento açoitar
Para apodrecer ao sol, para uma árvore deixar cair
Aí está uma estranha e amarga colheita.
O poema acima ficou famoso em 1939, na voz da cantora de jazz Billie Holiday (1915 -1959). Seu nome original é “Strange Fruit” e refere-se a linchamentos de negros no sul dos Estados Unidos. Algo que ainda era comum no final dos anos 1930.
Multidões se reuniam para assistir aos massacres. A maioria deles consistia em enforcar os negros. Às vezes eles eram mutilados e queimados ainda vivos. Seus corpos ficavam pendurados em árvores para que servissem de exemplo. Exemplo do nível de estupidez a que pode chegar a humanidade.
Clique aqui e assista vídeo com a música cantada por Billie Holliday
Blog de Sérgio Domingues, com comentários curtos sobre assuntos diversos, procurando sempre ajudar no combate à exploração e opressão.
6 de agosto de 2010
5 de agosto de 2010
Escravidão de grife
A gente acredita que a imensa maioria da produção têxtil paulista, o que costuma ser comercializado por C&A, Renner, Riachuelo, Pernambucanas, griffes como a Collins, é resultado de mão de obra escrava de trabalhadores sulamericanos.A declaração acima é de Renato Bignami, chefe da Seção da Fiscalização do Trabalho da Superintendência Regional de São Paulo. Foi publicada na nota “Capital paulista abriga escravidão”, de Lúcia Rodrigues para a revista “Caros Amigos”, de julho passado.
O texto diz ainda que a rede de lojas Marisa foi multada 49 vezes pela Justiça do Trabalho por envolvimento com trabalho escravo.
Tudo isso mostra que o capitalismo faz uso de várias formas de exploração. A força de trabalho escrava foi uma das mais utilizadas em seu nascimento. O mesmo vale para as primeiras oficinas do século 17. Depois vieram as linhas de montagem.
Há 30 anos, surgiu o trabalho por equipes, em que os trabalhadores são chamados de colaboradores. Mas as outras formas de roubar trabalho alheio jamais desapareceram totalmente.
Tudo depende do ramo econômico, local, situação social e política, condições de rentabilidade etc. Onde for preciso, cada um dos tipos de exploração está presente em maior ou menor proporção.
Nada mais antigo e bárbaro que os modernos estabelecimentos capitalistas. Até seus templos de consumo estão manchados pelo “sangue e lama” que, segundo Marx, escorre por todos os poros do capitalismo.
4 de agosto de 2010
Desastre aéreo e cobiça
Aproveitando as recentes notícias sobre vôos atrasados, tripulações sobrecarregadas e pilotos sonolentos, um episódio bem didático sobre o modo como o capitalismo funciona. Na Inglaterra, nos final dos anos 80, um avião pegou fogo antes de decolar. O piloto ainda conseguiu deter a aeronave ao lado da pista. Mas apenas uma das saídas de emergência funcionou. Dos cerca de 150 passageiros, mais de 50 morreram asfixiados pela fumaça.
Durante as investigações sobre as causas do acidente, voluntários foram colocados em um avião do mesmo tipo para verificar as falhas. Entre elas, a dificuldade para evacuar o aparelho rapidamente. Mas o maior desafio era reproduzir o clima de pânico causado pelo incêndio e pela fumaça. Não havia como fazer os voluntários simularem uma situação de desespero.
Foi aí que alguém teve uma idéia. Os primeiros a sair do avião receberiam prêmios em dinheiro. Foi o bastante para que os voluntários se precipitassem para a saída trocando tapas e empurrões. Não era pânico, mas teve os mesmos efeitos.
É assim que funciona o comportamento humano sob as condições impostas pela sociedade capitalista. Quem já viu consumidores invadindo lojas atrás de grandes liquidações sabe que a experiência faz todo o sentido. Ou melhor, não faz sentido nenhum, a não ser para os poucos que lucram com tanta cobiça.
3 de agosto de 2010
Nos EUA, empresas têm direitos humanos
A Constituição estadunidense recebeu uma série de emendas desde que foi aprovada, em 1787. Vinte e sete delas teriam sido adotadas para aperfeiçoar a “grande democracia americana”. Não é bem assim. É o que mostra Howard Zinn em seu livro “Uma história do povo dos Estados Unidos”.
Citemos o caso da 14ª Emenda, que foi aprovada para impedir a discriminação contra os negros. Um trecho dela diz:
Em 1886, a Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu que empresas seriam consideradas como pessoas para efeitos da 14ª Emenda. Assim, os capitalistas passaram a utilizá-la para proteger seu direito de fazer e acontecer em terras ianques e fora delas. Diante de questionamentos quanto a seus métodos nada éticos e pouco legais, alegavam restrição a seus “privilégios ou imunidades”.
Não à toa, dos casos apresentados à Suprema Corte americana, entre 1890 e 1910, dezenove envolviam proteção aos direitos de negros, contra 288 relacionados à defesa dos interesses de empresas. A grande maioria julgada procedente em favor dos capitalistas.
Leia também: Zinn: um historiador do povo
Citemos o caso da 14ª Emenda, que foi aprovada para impedir a discriminação contra os negros. Um trecho dela diz:
Todas as pessoas nascidas ou naturalizadas nos Estados Unidos, e sujeitas à sua jurisdição, são seus cidadãos e do estado onde residem. Nenhum estado poderá fazer ou impor qualquer lei que restrinja os privilégios ou imunidades dos cidadãos dos Estados Unidos, nem deve qualquer estado privar qualquer pessoa da vida, liberdade ou propriedade, sem o devido processo legal, nem negar a qualquer pessoa em sua jurisdição a proteção das leis”.Como se vê, trata-se de uma conquista da luta dos negros americanos contra o racismo. Mas a bem azeitada máquina de poder ianque não poderia deixar de funcionar em favor dos poderosos.
Em 1886, a Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu que empresas seriam consideradas como pessoas para efeitos da 14ª Emenda. Assim, os capitalistas passaram a utilizá-la para proteger seu direito de fazer e acontecer em terras ianques e fora delas. Diante de questionamentos quanto a seus métodos nada éticos e pouco legais, alegavam restrição a seus “privilégios ou imunidades”.
Não à toa, dos casos apresentados à Suprema Corte americana, entre 1890 e 1910, dezenove envolviam proteção aos direitos de negros, contra 288 relacionados à defesa dos interesses de empresas. A grande maioria julgada procedente em favor dos capitalistas.
Leia também: Zinn: um historiador do povo
2 de agosto de 2010
A ditadura da TV nas eleições
Segundo recente pesquisa do Datafolha, 65% dos entrevistados consideram a televisão o principal meio para obter informações sobre as eleições. Boa notícia para os donos do poder.
A TV está presente na vida de milhões de brasileiros diariamente. Impôs-se de forma massacrante durante a ditadura militar. Apoiada em imagens, sons e edições atraentes, ela distorce, omite, mente, calunia.
Assim, o primeiro lugar que a TV conquistou na preferência popular não é apenas uma opção. É uma conquista ideológica da classe dominante. Algo que nenhuma das candidaturas melhor colocadas nas pesquisas pretende desafiar.
A opção preferencial dos controladores da grande mídia é Serra. Mas, nem Dilma nem Marina são cartas fora do baralho. Afinal, vivem prestando homenagens à política econômica implantada por FHC. Fazem de tudo para se credenciarem como candidatas de confiança da burguesia.
Ao mesmo tempo, Dilma Rousseff terá 40% do total do tempo de TV no horário eleitoral obrigatório. Serra ficará com 29,5% desse bolo. Marina Silva contará com 5%. Os pouco mais de 25% restantes serão divididos entre dez candidatos de partidos menores.
Dentre os partidos de esquerda, o PSOL é o que está em melhores condições para desmascarar o pensamento neoliberal. Seu candidato é Plínio de Arruda Sampaio, com grande capacidade de comunicação e convencimento. Mas terá muito pouco tempo para divulgar suas idéias e programa.
Mesmo assim, vale a pena enfrentar a batalha eleitoral. É um importante momento para debater com a população e seus setores mais militantes. Fazer muitas denúncias e organizar lutas. Entre estas, o combate contra a ditadura da TV.
A TV está presente na vida de milhões de brasileiros diariamente. Impôs-se de forma massacrante durante a ditadura militar. Apoiada em imagens, sons e edições atraentes, ela distorce, omite, mente, calunia.
Assim, o primeiro lugar que a TV conquistou na preferência popular não é apenas uma opção. É uma conquista ideológica da classe dominante. Algo que nenhuma das candidaturas melhor colocadas nas pesquisas pretende desafiar.
A opção preferencial dos controladores da grande mídia é Serra. Mas, nem Dilma nem Marina são cartas fora do baralho. Afinal, vivem prestando homenagens à política econômica implantada por FHC. Fazem de tudo para se credenciarem como candidatas de confiança da burguesia.
Ao mesmo tempo, Dilma Rousseff terá 40% do total do tempo de TV no horário eleitoral obrigatório. Serra ficará com 29,5% desse bolo. Marina Silva contará com 5%. Os pouco mais de 25% restantes serão divididos entre dez candidatos de partidos menores.
Dentre os partidos de esquerda, o PSOL é o que está em melhores condições para desmascarar o pensamento neoliberal. Seu candidato é Plínio de Arruda Sampaio, com grande capacidade de comunicação e convencimento. Mas terá muito pouco tempo para divulgar suas idéias e programa.
Mesmo assim, vale a pena enfrentar a batalha eleitoral. É um importante momento para debater com a população e seus setores mais militantes. Fazer muitas denúncias e organizar lutas. Entre estas, o combate contra a ditadura da TV.
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