20 de novembro de 2017

Dora Avante e a “vã guarda” fã de Putin


“Recebo outra carta da ravissante Dora Avante”, escreve Luis Fernando Verissimo, introduzindo mais uma de suas inesquecíveis personagens.

Também conhecida como Dorinha, entre suas ousadias estaria o fato de ter sido “a primeira a usar um tapa-sexo cravejado no Municipal, na sua fantasia de Catarina da Rússia na Intimidade, embora diga que ainda não era nascida na ocasião”.

Além disso, Dorinha lidera as “Socialaites Socialistas”, que lutam pela “implantação no Brasil do socialismo soviético na sua fase mais avançada, que é a restauração do czarismo”.

Por falar nisso, em pleno centenário da Revolução Russa, importante lembrar que o czar destronado em outubro de 1917 foi canonizado em 2000 pela Igreja Ortodoxa Russa.

O homem foi responsável pela morte de 3 milhões de pessoas nos três anos em que a Rússia lutou na Primeira Guerra. Matança interrompida pela ascensão dos bolcheviques ao poder. Mas isso não importa para as altas autoridades religiosas russas.

Já o presidente Vladimir Putin deu sua contribuição igualando o último czar e outros imperadores russos aos líderes da burocracia soviética.

Quanto à comemoração dos cem anos da Revolução Bolchevique, muita discrição. Revoluções são eventos sem controle e Putin prefere o controle autoritário que aprendeu a manejar quando era chefe da KGB.

Enquanto isso, aqui, muita gente boa da esquerda nacional admira o presidente russo por suas posições pretensamente antiamericanas, ignorando a amizade que nutre por ninguém menos que Donald Trump.

Sim, Dorinha deve estar realmente ravissante (seja lá o que for isso). Afinal, são muitas as adesões a suas “Socialaites Socialistas” na “vã guarda” da esquerda brasileira. 

Leia também: Dicas (pouco animadoras) para ler “O Capital”

2 comentários:

  1. Caramba, pelo título me parecia poesia concreta, pela chamada um recurso do NP, e por fim um samba do crioulo doido, ou melhor, uma balalaica neo-concretista-burocrática-despótica-russa. E parece que com esquerda nacional no tamborim. PQP.

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  2. Rá, rá, rá...
    Mais ou menos tudo isso aí!

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