Doses maiores

23 de junho de 2021

Reeleição: entre a ameaça golpista e o golpe

Em 11/06/2021, Fernando Abrucio publicou no jornal Valor um interessante artigo sobre os possíveis planos de Bolsonaro para continuar no poder.

Para o cientista político, o plano A do bolsonarismo é a reeleição e seu principal trunfo seria um cenário econômico melhor para o ano que vem: PIB maior, alta no preço das commodities e espaço orçamentário para criar um equivalente do Bolsa-Família (veja mais na pílula de ontem).

Mas o analista enxerga vários problemas nesse cenário. A melhoria econômica pode não ser suficiente para causar na população uma sensação de bem-estar. Os valores previstos para o novo Bolsa-Família ficarão longe do que pagou o Auxílio Emergencial, grande responsável pela sustentação do apoio popular ao governo durante a pandemia, apesar do descaso com a doença.

Além disso, os estados do Nordeste, região com maior número de beneficiários do Bolsa-Família, hoje são todos governados por forças que sempre foram oposição ao atual governo federal ou dele se afastaram.

Por fim, diz ele, o presidente vem sendo “cada vez mais rejeitado pelas classes médias do Sul e Sudeste”, assim como pelos pobres das regiões metropolitanas, lugares onde “os movimentos sociais estão crescendo frente ao aumento da vulnerabilidade social”.

Diante disso, o plano B consistiria em unir forças civis e militares e “emparedar parte da classe política” para manter-se no poder. Entre o blefe e a realidade, a ideia seria criar um “clima golpista permanente e crescente”. Reeleição ainda, mas sem descartar um golpe.

Desse modo, conclui ele, serão os 18 meses mais tensos desde o fim da ditadura militar.

Na pílula de amanhã, mais elementos.

Leia também: Contra a reeleição, avançar na jugular de Bolsonaro

2 comentários:

  1. Boa, parecem razoáveis as análises e previsões. Só acho que tem força para emparedar, mesmo se tivesse, com isso venceria as eleições ou teria forças para dar um golpe? Não creio, precisaria de mais. Eu ando com uma certeza, se não vencer as eleições vai ter tentativa de golpe. Se nesse momento, estando no governo, ele já acena, imagina se perder as eleições e não tiver mais nada para perder. Aí ele vai com as forças que tiver, mas acredito que ele não são suficientes para ter sucesso no golpe.

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    1. Concordo. Mas estamos falando de hoje e as análises estão tentando apontar tendências. Aguardemos, mas não sentados...

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