quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Nordeste mais desigual e nada de Reforma Agrária

"A desigualdade, dentro do Nordeste, continua crescendo", diz Carlos Wagner, coordenador de Estudos Regionais do Ipea, em entrevista ao jornal potiguar Tribuna do Norte, em 16/09.

O estudioso alerta que apesar de o Nordeste "ter reduzido o abismo que o separava de outras regiões”, aumentaram as diferenças “dentro do próprio território”. A região continua concentrando “mais da metade dos analfabetos e extremamente pobres do país”, diz ele.

O pior é que o próprio crescimento dos últimos anos teria “fôlego curto”, afirma Wagner. Trata-se de “uma economia sem produção”, voltada para o “consumo de bens não duráveis”. Para “tornar o crescimento sustentável, é preciso atrair indústrias”, diz o pesquisador. Principalmente, as que trabalham “com tecnologia de ponta”.

Interessante que nem entrevistado, nem entrevistador citaram a Reforma Agrária. O Nordeste tem uma das maiores concentrações fundiárias do País. Esta deve ser a maior razão para que a desigualdade não diminua. E distribuir terras poderia abrir muito mais oportunidades de renda e trabalho do que empresas que empregam muito maquinário e poucas pessoas.

Claro que alguns dirão que se trata de uma solução utópica. É o que se costuma afirmar sobre bandeiras de luta que foram engavetadas pela esquerda que chegou ao governo.

Enquanto isso, o agronegócio vai conquistando vitória atrás de vitória no Congresso Nacional. Aqueles que Lula chamou de heróis e Dilma saúda como setor produtivo seguem implementando seu projeto.

Ao mesmo tempo, a maior parte da direção do MST só lamenta. Culpa os movimentos populares por não fazerem a pressão necessária sobre “seu governo”. Tudo muito lamentável, mesmo!

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