sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Não é guerra santa. É disputa de mercado e poder

Nas eleições paulistanas, a Igreja Católica acusa Russomano de representar a Igreja Universal. Os três candidatos à frente nas pesquisas disputam espaço na missa do padre Marcelo Rossi. Bispos de todos os lados dão declarações aos montes. 

Questões religiosas não deveriam estar no centro de uma campanha eleitoral. Na verdade, não estão. Temas como aborto e homossexualidade são apenas uma cortina de fumaça. Esconde o que realmente está em jogo. Envolve igrejas, mas tem pouco a ver com religião. 

Em 05/09, Magali Cunha, autora do livro "A explosão gospel" deu uma entrevista ao site IHU On-Line. A pesquisadora alerta para o aumento do número de evangélicos “sem igreja determinada”. Seriam fiéis que não “especificam vinculação com as religiões, ou frequentam diferentes igrejas ao mesmo tempo, inclusive pequenas igrejas independentes”. Isso aconteceria porque começa a imperar:

...a busca de satisfação individual que torna possível, por meio da oferta, uma escolha do tipo de proposta religiosa que satisfaz a necessidade mais premente, seja ela de tipo de culto (moderno ou tradicional), de bênção material (cura, pedido de emprego, de sucesso no relacionamento amoroso) ou mesmo de socialização compreendida como “sadia”.

Não por acaso surgem igrejas voltadas para “grupos específicos, como jovens, esportistas, roqueiros, grupos undergrounds, gays”, diz ela. E aumentam as disputas entre as próprias igrejas evangélicas. É disputa de mercado.

A política institucional tem pouco a ver com os interesses da maioria da sociedade. As igrejas também cuidam cada vez mais de interesses muito materiais. Na verdade, ambas sempre fizeram isso, mas já não conseguem esconder. É umas das poucas vantagens do desenvolvimento capitalista. Vai arrancando máscaras.

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