segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Os “cercamentos” neoliberais

Michael Hudson publicou artigo esclarecedor na Carta Maior, em 09/09. “A guerra entre Wall Street e as cidades nos EUA" fala sobre a falência de milhares de municípios estadunidenses.

Às voltas com grandes dívidas, as cidades americanas estariam “sendo forçadas a fazer o que fez Nova Iorque para evitar a bancarrota em 1974: entregar a gestão para quem Wall Street bem entender”. E Wall Street só quer uma coisa: “vender o que resta do setor público e transformar cada programa social numa mesa de negociações”.

Hudson diz que os Estados Unidos estão passando por algo equivalente aos “cercamentos ingleses dos séculos XVI e XVIII”. Trata-se do processo de privatização de terras que eram cultivadas comunitariamente pelos camponeses há séculos. Um roubo que jogou milhões na miséria e os obrigou a trabalhar para os capitalistas.

Ao entregar serviços públicos ao mercado, as administrações americanas estariam fazendo o mesmo. O que deveria servir ao bem comum se transforma em mercadoria. Que os pobres se virem sozinhos como os camponeses, 300 anos atrás.

Segundo Hudson, o objetivo “é salvar os detentores de títulos e as ambiciosas contrapartes dos bancos, não os 99%”, referindo-se aos americanos que não têm outra propriedade que sua própria força de trabalho.

Ao mesmo tempo, artigo de Vinicius Torres Freire chamado “Cenas da miséria americana”, publicado em 03/09 na Folha, diz que “de cada sete americanos, um tem ajuda federal para comer”.

Ou seja, o capitalismo nasceu do roubo, vive dele e o está levando ao nível máximo na mais poderosa economia do mundo. Resta saber até quando os saqueados aguentarão.

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