quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Os valiosos erros da classe operária

Pode-se dizer que o potencial pedagógico dos erros é maior que o dos acertos. A uma pessoa que coleciona acertos recomenda-se que comece a fazer algo em que possa errar. O que não falta à classe operária são erros na história secular de suas lutas.

Mas erro maior é considerar operários como sinônimo de classe trabalhadora. Conclusão que, muitas vezes, é produto de uma leitura superficial de Marx. O revolucionário alemão convocou os proletários a se unirem para derrubar o Capital. Dirigia-se a todos aqueles que são obrigados a vender sua força de trabalho para sobreviver.

Claro que há grandes diferenças entre os proletários. Ninguém nega o valor social dos professores, por exemplo. No entanto, uma greve de educadores pode se estender por meses. Já paralisações de operários, dificilmente duram mais que alguns dias. Não pelo valor social da categoria. Mas pelos lucros que a suspensão de sua exploração deixa de gerar.

Ou seja, tudo depende do lugar ocupado pelos trabalhadores na produção. Quanto mais essenciais para a realização dos lucros, maior seu potencial para abalar todo o sistema.

Até meados dos anos 50, enormes exércitos operários lotavam as fábricas. Já não é assim. Mas nunca houve tantos operários no mundo. O capitalismo estatal chinês tem imensa contribuição nisso.

Na verdade, parece que as relações capitalistas finalmente alcançam todos os cantos do planeta. Isso não faz dos operários maioria entre os trabalhadores. Ainda assim, são eles que mais lutas acumulam contra o Capital. Os que mais cometeram erros nessa guerra. Não são os únicos, mas os melhores educadores de si mesmos e do restante dos explorados.

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