quinta-feira, 13 de março de 2014

A humanidade não é grande demais para quebrar

Em novembro de 2013, o filósofo Giorgio Agamben deu uma interessante palestra em Atenas, que recebeu o nome “Por uma Teoria do Poder Destituinte”.Entre outros temas, Agamben falou sobre como a modernidade concentra-se nos efeitos e não nas causas dos fenômenos sociais. Segundo ele, esta regra vale para todos os domínios: “da economia à ecologia, das políticas externas e militares às medidas internas de polícia”.

Faz sentido. Se sofremos com problemas ambientais a solução não é mudar a matriz energética do planeta. É usar tecnologias caras, complexas, perigosas e dominadas por alguns monopólios gigantes.

Se o trânsito nas grandes cidades não anda, nada de investir em transporte coletivo. Construam-se mais pontes e viadutos, abram-se mais ruas e novas faixas nas avenidas.

Na saúde pública, medidas de prevenção ficam em segundo plano. Bem à frente, vêm as caras e lucrativas tecnologias e substâncias para cuidar das doenças.

A desigualdade social deve ser assumida como natural. No lugar de combatê-la, é preciso construir mais prisões, aprovar leis mais severas, dar liberdade à polícia para agir como bem entender.

Para lidar com a crise econômica, mais dinheiro na economia. Recursos que são investidos em aventuras especulativas semelhantes às que causaram a crise econômica.

O principal motor dessa inversão maluca é a busca por lucro. Objetivo cego que pode inviabilizar de vez o metabolismo que nossa espécie mal consegue manter com o planeta e consigo mesma.

Em algum momento, os efeitos podem perder essa corrida para as causas. A humanidade não é grande demais para quebrar. E ainda que possam restar alguns de seus exemplares, não serão os melhores.

Acesse a palestra de Agamben, aqui

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