segunda-feira, 27 de abril de 2015

O violino petista e o maestro imóvel

Exercer o poder é como tocar violino, dizem. A mão esquerda segura, mas é a direita que toca.

A comparação serviria para os governos petistas, não tivessem seu lado canhoto completamente paralisado.

Mas não é por isso que a metáfora não serve. O governo é apenas um dos inúmeros instrumentos que compõem a grande orquestra do poder.

Controlar o Executivo está longe de determinar que música devem dançar Legislativo, Judiciário, Exército e forças policiais.

A Câmara Federal, por exemplo, acaba de aprovar a terceirização total e uma de suas comissões decidiu alterar a definição de trabalho escravo em favor dos escravocratas.

A redução da maioridade penal avança, enquanto projetos sobre direito ao aborto e contra a homofobia foram engavetados.

Tudo isso graças exatamente à maioria parlamentar que o governo imaginava reger.

O Supremo Tribunal Federal considerou constitucional a lei das Organizações Sociais. Setores essenciais, como saúde e educação, podem continuar contratando entidades “pilantrópicas” para empregar sem concurso, comprar sem licitação e usar o patrimônio público para lucrar.

A decisão foi tomada contra ação ajuizada pelos petistas, em 1998, por uma maioria de magistrados indicada pelo próprio PT, mais recentemente.

Mas o violinista petista não poupa esforços. Novamente revelou-se ambidestro ao editar medidas provisórias que cortam direitos sociais. Também pretende abrir à exploração do mercado parte da Caixa Econômica Federal e ofertar aeroportos, rodovias e ferrovias em nova onda de privatizações.

Enquanto isso, Joaquim Levy prepara seu concerto triunfante certo de que vai brilhar no ritmo de bate-estaca neoliberal que lhe foi encomendado.

O grande capital rege a música sem dar-se ao trabalho de mover os braços.

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