quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Senso comum, reformismo e revolução

Em “O mito da Aristocracia Operária”, Charles Post cita a definição do militante socialista estadunidense Kim Moody sobre o senso comum da classe trabalhadora. Para ele, não se trata de "uma ideologia capitalista consistente", mas:

Uma coleção contraditória de ideias antigas herdadas, outras aprendidas através da experiência diária, e ainda outros geradas pela mídia capitalista, pelo sistema de educação, pela religião, etc. Não é simplesmente uma visão que só vê uma nação tranquilizada pela TV e por fins de semana em shoppings. "O senso comum" é tão profundo e contraditório porque também incorpora experiências que vão na contramão da ideologia capitalista.

Antônio Gramsci também identificava no senso comum “uma concepção fragmentária, incoerente, inconsequente...”. E, tal como Moody, considerava possível surgir de toda essa confusão elementos capazes de desmascarar a dominação capitalista.

Por outro lado, essas contradições também são utilizadas para justificar o reformismo. Afinal, diante dos terríveis impactos sociais do capitalismo, o senso comum se apega à ideia que a sociedade humana sempre foi e sempre será assim. Somente seria possível reformá-la, portanto.

O problema é que não se dá combate a esse conformismo fazendo uso apenas de clareza teórica e habilidades retóricas. As contradições acontecem na vida concreta dos explorados e oprimidos. E é neste nível que elas podem dar origem ao que Gramsci chamou de “bom senso” popular. Uma outra organização de ideias, valores, experiências capazes de preparar a reação revolucionária.

Foi assim que se construíram a maiores revoluções populares. É preciso aprender com estas experiências para construir novas. Sempre coletivamente e a partir de baixo.

Na próxima pílula, o fechamento provisório desta discussão.   

Leia também: A aceitação do reformismo entre os explorados

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