15 de janeiro de 2018

A derrota de Bolsonaro não seria necessariamente uma vitória

“Onde os fracos não têm vez” é o título do artigo de Eduardo Matos de Alencar, publicado no início do ano. Admirador de Olavo de Carvalho, o autor é insuspeito ao avaliar que “Bolsonaro tem mais chances de perder estofo quando as peças e engrenagens do sistema político começarem a operar de maneira efetiva”.

São exatamente essas peças e engrenagens o tema principal do texto de Alencar, que trabalhou para várias prefeituras do Nordeste e foi gestor da implantação da “UPP Social” na Rocinha, em 2012.

É dessa experiência que ele retira evidências sobre o funcionamento do varejo da disputa de votos que forma o atacadão conservador da política institucional em um país extremamente desigual. 

Sobre os eleitores mais pobres, por exemplo, ele afirma:

Inúmeras dessas pessoas podem até declarar, num primeiro momento, a preferência por A ou B, mas a verdade é que quando a liderança comunitária, o vereador, o prefeito da cidade ou o deputado da região acionarem os mecanismos para “pedir” votos pelos seus aliados, acho bem difícil acreditar que as pessoas responderão diferentemente do esperado

É esta “capilaridade” que precisa ser dominada pelos que querem ter alguma chance no pesado jogo eleitoral nacional. Um fator tanto mais importante quanto maior a desigualdade, a pobreza, a ausência de serviços públicos. Elementos que jamais faltaram ao País e alimentam o pragmatismo do “rouba, mas faz” há muitas décadas.

O texto também descreve como o PT capitulou a essa lógica suja. E o pior é que não há como discordar. Mas acima de tudo, indica que uma derrota de Bolsonaro não merece necessariamente grandes comemorações.

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