sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Revolução é tudo ao mesmo tempo agora

Elio Gaspari publicou o seguinte em sua coluna de 03/01/2018, no Globo:

A descriminalização da maconha é um tema da agenda do século 21. Já o direito das mulheres ao aborto foi tema do 20, ainda divide a sociedade americana e prevaleceu em dezenas de países. E os temas do 19? Estão diante dos olhos de todos os brasileiros quando leem ou ouvem que a polícia subiu um morro e matou "dois suspeitos".

(...)

Há um Brasil que é pouco ouvido e mal-entendido, mas que está aí, não poderá se mudar para Miami, e em outubro irá às urnas. 53% dos entrevistados com renda superior a dez salários mínimos defendem a legalização da maconha e 70% querem a descriminalização do aborto. Na turma que anda de ônibus (até dois salários mínimos), o quadro inverte-se e só 26% concordam com as duas propostas. Moralista, essa faixa da população é a mais afetada pelo que resta da agenda do 19.

São contradições como essas que podem ajudar a entender o que está por trás das divergências entre a esquerda “tradicional” e os movimentos ditos “identitários”. Um choque entre pautas de lutas que deveriam convergir.

Mas nada disso é necessariamente novo ou localizado. Trotsky, por exemplo, trabalhou o conceito de “desenvolvimento desigual e combinado”, segundo o qual relações e estruturas ultramodernas não apenas convivem como dependem da permanência do que há de mais arcaico.

Foi com base nessa compreensão do desenvolvimento capitalista que Trotsky e seus camaradas encontraram suas saídas. Fizeram uma revolução num país que era a quinta economia da época, com mais de 90% de analfabetismo.

Leia também: As intersecções da dominação capitalista

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