Doses maiores

27 de setembro de 2018

A família Marx despejada

Em março de 1850, incapaz de pagar aluguéis atrasados, a família Marx foi despejada. Jenny descreve a situação em uma carta:

...tivemos de deixar a casa; estava frio, úmido e nublado; meu marido saiu à procura de alojamento; quando mencionava as quatro crianças, ninguém queria nos aceitar. Finalmente um amigo veio em nosso socorro; nós pagamos e eu vendi às pressas todas as minhas camas para acertar as contas com farmácia, padeiros, açougueiros e leiteiros, que, assustados com o escândalo provocado pelos oficiais de justiça, de repente me assediaram com suas contas. As camas que vendi foram levadas para a calçada e postas numa carroça — e depois, o que acontece? Já passa muito do pôr do sol, a lei inglesa proíbe isso, o senhorio nos pressiona com a presença da polícia, declara que talvez tenhamos incluído coisas suas no meio das nossas, que estamos nos escafedendo e indo embora do país. Em menos de cinco minutos, uma multidão de duzentas ou trezentas pessoas fica parada, boquiaberta, na frente da nossa porta, toda a canalha de Chelsea. As camas vão para dentro de novo; só podem ser entregues ao comprador na manhã seguinte, depois da alvorada; assim, com a venda de tudo que era nosso, tendo conseguido pagar cada centavo, me mudo com minhas pequenas crianças queridas para dois pequenos quartos que agora ocupamos no Hotel Alemão, na Leicester Street, número 1...

Poderia ser o trecho de uma obra de Dickens. Mas era só um dos vários episódios de dificuldades financeiras envolvendo a família daquele cuja obra seria uma das grandes contribuições para a ciência econômica.

2 comentários:

  1. Conheço e tenho o livro "Amor & Capital" que recomendou. A história de família deles é triste. Triste imaginar um mundo onde um gênio e sua luta por uma sociedade mais justa tenha capítulos desta natureza. Bjs.

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