sexta-feira, 22 de outubro de 2010

O teatro colonizado pela indústria da diversão

Procurando Nemo, Família Adams, Backyardigans, Era do Gelo, Aladdin, Branca de Neve, Rei Leão, High School, Pinocchio, Shrek, Toy Story, A Bela e a Fera. Estas são algumas das adaptações teatrais para crianças em cartaz em várias capitais e cidades brasileiras. Na verdade, são imitações das grandes produções de Hollywood.

Quem já levou crianças para assistir peças como essas deve ter sentido um certo alívio. É um grande risco levar os pequenos ao teatro. É uma linguagem que costuma ser diferente daquela a que eles estão acostumadas, quando assistem TV ou vão ao cinema. Mas neste caso a semelhança entre as peças e os filmes em que se baseiam é grande. Não assusta.

Por outro lado, não há surpresas nem experiências novas. Trata-se de uma padronização que só empobrece as possibilidades artísticas do teatro. Restringe ainda mais as experiências estéticas que chegam a crianças e adolescentes. Assista ao filme, compre o DVD, o CD, a mochila, a merendeira, o boneco, o game, assista à peça. Tudo muito igual. E muito comercial.

E isso não vem acontecendo apenas no teatro infantil. Multiplicam-se peças com atores, roteiro, ritmo, drama e humor típicos da dramaturgia e do espetáculo produzidos para as telas. É a colonização do teatro pelo mundo da distração cinematográfica e televisiva.

A arte teatral é uma das que mais valorizam o desempenho humano ao vivo e de perto. Ela é o contrário das gravações e regravações das cenas de filmes e novelas. O oposto da atuação humana escondida por trás de efeitos especiais milagrosos. Infelizmente, também vem se rendendo à lógica do mercado da diversão.

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Um comentário:

  1. Fenômeno semelhante está acontecendo com o cinema brasileiro, com a GloboFilmes capitaneando a pós-retomada, a partir do ótimo "Carlota Joaquina", da Carla Camuratti.

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