quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Botox acaba com rugas. O capitalismo, com empregos

Em 20 anos, a fábrica irlandesa Allergan produziu mais de 26 milhões de frascos de botox com o trabalho de 800 funcionários. Hoje, a produção está automatizada. Precisa do trabalho de apenas 80 pessoas. Os lucros anuais por operário foram multiplicados por dez. O emprego caiu na mesma proporção.

É o que os especialistas chamam de aumento da produtividade. A exploração do trabalho de menos pessoas resulta em mais lucro.

Marcio Pochmann publicou artigo na Folha de S. Paulo em 23/01/2011. O texto refere-se a pesquisa realizada sobre condições de vida e trabalho no Reino Unido. Os dados indicam que, em média, o descanso semanal reduziu-se quase pela metade.

As horas-extras seriam cumpridas em casa e envolveriam o uso do computador pessoal. Especialmente, correio eletrônico, internete, relatórios e planejamento. O lazer, por sua vez, vem se resumindo ao consumo.

Com isso, o tempo do descanso semanal caiu para 27 horas. Costumava ser de 48 horas. Era a chamada semana inglesa. Intervalo de descanso conquistado após muitos anos de luta dos trabalhadores ingleses.

O resultado é que os antigos acidentes provocados pelo uso das máquinas estão sendo substituídos por novos problemas. Solidão e depressão são cada vez mais associadas a jornadas excessivas e ao consumismo.

São exemplos de como o capitalismo cria desemprego e mal-estar. Seria muito mais racional empregar mais gente do que aumentar a exploração da saúde física e mental dos que continuam empregados.

Mas, aí, os donos dos meios de produção ficariam sem seus lucros. Já não seria capitalismo. Sistema caduco, em que botox nenhum dá jeito. Solução? Só a sepultura, mesmo.

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