sexta-feira, 27 de abril de 2012

Abundância de contradições na internete

No capitalismo, quanto maior a escassez, maior o lucro. Quanto mais raro certo produto, ou quanto mais ele for procurado, maior o seu preço. Se isso já é complicado para um sistema que tem crises devido à abundância de sua produção, a situação ainda pode piorar.

De uns 50 anos para cá, a informação tornou-se bem altamente rentável. Incluindo aquela contida em bens culturais e de entretenimento. Ocorre que informação é algo cujo estado natural é o de abundância, não de escassez.

A troca rápida e barata de dados pela internete agravou o problema. Daí, a enorme guerra em torno da propriedade intelectual. Conflito que envolve empresas gigantes e governos poderosos. Na verdade, o objetivo é criar gargalos que tornem a informação escassa.

A rigor, é como tentar reter água em balde furado. E, agora, mais um buraco parece estar se abrindo no recepiente. Trata-se do BitTorrent Live. Reportagem de Mariano Blejman para o jornal Página/12, em 10/04, explica que o programa:

...funciona exatamente ao contrário da forma como funcionavam, até agora, as transmissões ao vivo: quanto mais pessoas estão conectadas a um mesmo serviço, mais veloz pode ser a conexão.

Ou seja, a qualidade aumenta na razão direta da integração e não da competição entre as transmissões. Por isso, também exige menos infraestrutura. Um problema muito sério para as grandes corporações. Não à toa, Bram Cohen, criador do sistema, afirma que seu "objetivo é extinguir a televisão".

Cohen também é o criador do BitTorrent, um serviço de transmissão de dados que já vem usando a mesma lógica há mais de 10 anos. O mais incrível é o que diz a reportagem sobre a origem do BitTorrent. Segundo a matéria, ele:

... foi desenvolvido, inicialmente, para uma empresa de segurança, que tinha que distribuir seus arquivos de forma criptografada, de maneira tal que não se poderia destruir as cópias de segurança e, ao mesmo tempo, fosse impossível conhecer o conteúdo dos mesmos. Atualmente, BitTorrent tem 150 milhões de usuários ativos, com maior permanência que o Facebook ou YouTube.

Para nossa sorte, os capitalistas também criam seus próprios gargalos.

Leia também: A Google e os limites do capitalismo

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