sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Índia: brutalidade ancestral e crueldade capitalista

Voltamos ao artigo da secretária geral da Associação Progressista Pan-Índia de Mulheres, Kavita Krishnan. Em “Temos que defender o direito das mulheres sem medo!”, ela denuncia a violência contra as mulheres na Índia.

Além das ocorrências de estupro, Kavita relata vários casos de mulheres assassinadas por seus próprios pais ou irmãos. Principalmente, por se envolverem com homens que não são de sua casta.

A divisão por castas é baseada no nascimento. O relacionamento entre os membros de castas diferentes é sujeito a restrições severas. Mas esse tipo de discriminação é ilegal desde os anos 1970. Ela atrapalharia a liberdade de mercado.

Em 1853, Marx escreveu uma carta sobre o domínio inglês na Índia. Ele saudava a chegada do capitalismo ao país. Dizia que as “indústrias modernas” iriam dissolver as castas, “esses obstáculos decisivos ao progresso indiano e à potência indiana”.

Mais tarde, o revolucionário alemão iria rever essa posição infeliz. Diria que o capitalismo mostrou-se mais sangrento que qualquer outro sistema social. Responsável pelo massacre de milhões de seres humanos, não poderia representar qualquer progresso.

A prova é o que acontece na Índia, hoje. As leis contra a discriminação são amplamente ignoradas. Ainda assim, o país se tornou uma das economias mais fortes do planeta.

O mesmo acontece em muitos cantos do mundo. Machismo, racismo, homofobia, intolerância em geral. Nada disso é problema se não atrapalhar os lucros. Em geral, até ajuda porque enfraquece a luta dos explorados.

O capitalismo pretende levar os avanços da civilização aos povos atrasados. Na verdade, usa as brutalidades mais ancestrais para reforçar suas modernas formas de crueldade. 

Leia também: Estupro não envolve desejo. É ódio às mulheres

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