segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Para o capital, fome é um problema estético

Esther Vivas é uma das principais lideranças do partido Izquierda Anticapitalista, da Espanha.  Em 01/01, ela publicou artigo no site “Público”, com o título “Alimentos para comer ou jogar fora?”.

Segundo o texto, a produção alimentar triplicou desde os anos 60. No mesmo período, a população mundial apenas dobrou. A ONU diz que 870 milhões de pessoas no planeta passam fome, mas 1 milhão e 300 mil toneladas de alimentos são desperdiçadas anualmente.

Esther diz que tanto desperdício deve-se basicamente a um problema estrutural e de fundo:

...os alimentos se tornaram mercadorias de compra e venda e sua função principal, nos alimentar, ficou em segundo plano. Desta maneira, se o alimento não cumpre determinados critérios estéticos, sua distribuição não é considerada rentável, se deteriora antes do tempo ... é rejeitado.

É isso mesmo. Alimentos que não cumprem “determinados critérios estéticos” são simplemente descartados. Talvez, porque milhões de pessoas famintas não afetem os tão rigorosos “critérios estéticos”.

Quando causas e soluções relacionadas a um determinado problema são conhecidas, sua superação passa a ser de natureza ética. Ou seja, a opção entre resolvê-lo ou não é definida pelos valores envolvidos.

A ditadura do livre mercado chegou ao ponto de jogar fora alimentos devido a sua aparência. Mas isso não tem a ver com estética. Envolve os valores que regem a ética capitalista. E esta, sim, é muito feia!

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