quinta-feira, 22 de agosto de 2013

A CUT, entre achados e perdidos

No final de agosto de 1983, cerca de 5 mil trabalhadores brasileiros se reuniram em São Bernardo do Campo, no ABC paulista. Sua principal e histórica decisão: fundar a Central Única de Trabalhadores, a CUT.

A criação da central foi um grande achado da classe trabalhadora brasileira. O resultado de muitas lutas nas fábricas e no campo contra os patrões, a ditadura militar e seus representantes pelegos no movimento sindical. Sua maior bandeira, o combate à estrutura sindical atrelada ao Estado. Principalmente, através do imposto sindical.

Trinta anos depois, a CUT é uma gigante, com mais de 3.400 entidades filiadas, representando cerca de 22 milhões de trabalhadores. Mas deixou de fazer oposição ao governo federal, que considera aliado. Muitos de seus antigos dirigentes ocupam cargos oficiais.

Apesar disso, nenhum ataque aos trabalhadores feito pelos governos anteriores foi revertido. Ao contrário, seus aliados hospedados no Palácio do Planalto há mais de 10 anos firmaram alianças prioritárias com o empresariado da cidade e do campo. O único avanço foi um aumento considerável no valor do salário mínimo.

A ata de fundação da CUT estava perdida há alguns anos. Junto com ela também foram se perdendo pelo caminho o combate ao atrelamento estatal, o fim do imposto sindical e a luta pelo socialismo que ainda consta de seu estatuto.

Recentemente, a certidão de nascimento cutista foi recuperada. Sintomaticamente, o documento foi encontrado graças à Lei de Acesso à Informação, um mecanismo do Estado. E é a dependência em relação a este mesmo Estado que fez a CUT perder sua tradição combativa. Talvez, para sempre.

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