quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Polícia esclarecida. Só que não

 Você pode transformar a polícia militar em uma polícia civil e ela continuar militarizada na sua lógica. A questão é olhar a polícia não como uma força, mas como um serviço público que pode usar a força. Muito dessa lógica belicista é fruto da ditadura e da incorporação na segurança pública da doutrina de segurança nacional. Apesar de já termos saído desse período, essa mentalidade ainda está espalhada na sociedade, ela ainda está presente no imaginário da segurança pública no Brasil.
Parece incrível, mas estas palavras são de um coronel da PM. Trata-se de Ibis Silva Pereira, diretor da academia de formação de cadetes da instituição. Ele é um dos responsáveis pelo ciclo de debates “Violência Interior”. O evento é resultado de parceria com a Festa Literária Internacional das UPPs (Flupp) e o jornalista e filósofo Adauto Novaes.

Íbis é formado em Direito, fez pós-graduação em Filosofia e mestrado em História. “Costuma citar filósofos como Spinoza e Hegel e escritores como Dostoiévski e Guimarães Rosa”, diz matéria publicada no caderno "Prosa & Verso" de O Globo, em 17/08.

O texto diz que o clima durante a sessão de debates foi muito bom e respeitoso. Os convidados foram bastante críticos em relação à violência policial. Apesar disso, mereceram “aplausos efusivos”, diz a matéria.

É a PM finalmente se abrindo à crítica social. Só que não. Não, mesmo. As ações da grande maioria de seus integrantes mostram o contrário. Como disse o coronel Ibis, a lógica belicista impera. E o poder de classe por trás dela não está disposto a mudar isso.

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