segunda-feira, 26 de agosto de 2013

A esquerda na contramão

Em 01/08, o jornalista José Roberto de Toledo comentou resultado de pesquisa realizada pelo Ibope sobre confiança nas instituições. Trata-se do Índice de Confiança Social, divulgado anualmente pelo instituto desde 2009.

No artigo intitulado “Protestos derrubam credibilidade das instituições”, Toledo destaca que das 18 instituições pesquisadas, todas se tornaram menos confiáveis. A lista inclui o Corpo de Bombeiros, partidos, igrejas, empresas, sindicatos, Organizações Não Governamentais (ONGs), imprensa, governo federal, prefeituras, Congresso Nacional e Judiciário.

O título do artigo sugere que essa perda da confiança ocorreu por causa das jornadas de junho. Mas é mais provável que tenha sido o inverso. As manifestações ocorreram exatamente pela queda da credibilidade das instituições junto à população. E a fraca reação delas só confirmou e acentuou aquela tendência.

O fato é que, há algum tempo, as instituições já não conseguem esconder seu caráter de instrumentos a serviço de uma minoria. É o resultado de décadas de total entrega do Estado aos interesses do mercado. O que ainda salva as aparências é a ideia de que o problema todo é a ação dos corruptos.

Enquanto isso, praticamente todos os setores da esquerda continuaram a apostar na institucionalidade. Daqueles que estão nos governos aos que lhes fazem oposição. Dos que atuam em partidos aos que estão nos movimentos sindical e popular.

Não se trata apenas da institucionalidade puramente estatal. Também inclui quem vive dela, direta ou indiretamente. Sindicatos, ONGs e outras entidades, dependentes de drogas como o imposto sindical, verbas e subsídios públicos.

Que as jornadas de junho nos tenham atropelado não é o pior. O pior será continuarmos na contramão.

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