segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Big Brother e Big Father

A espionagem definitivamente voltou a atrair a atenção. Não nos cinemas, livros e seriados de TV, mas na vida cotidiana dos cidadãos mais pacatos. É que nos tornamos, quase todos, espiões de nós mesmos. É o que garante a reportagem “Nós somos a alta tecnologia da espionagem global”, de Eduardo Febbro, publicada na Carta Maior em 04/08.

O texto apresenta dados assustadores:

Google e Facebook têm mais de um bilhão de usuários em todo o mundo; 80% das comunicações através da internet passam pelos Estados Unidos; no Facebook são publicadas 350 milhões de fotos por dia, o que dá 3,5 bilhões de fotos em dez dias e 35 bilhões em cem dias. A mágica ocorre quando nos inscrevemos no Google ou Facebook. Poucas pessoas leem as condições de utilização, mas estas explicitam claramente que o usuário “autoriza” o armazenamento das informações no território norte-americano.

Febbro cita o jornalista francês, especializado em internete, Jacques Henno: “Somos, de fato, filhos da rastreabilidade. Uma rastreabilidade política, sexual, ideológica e religiosa”.

É verdade, mas não se trata apenas disso. A grande maioria de nós é inofensiva demais para preocupar os aparatos de repressão. Pelo menos, por enquanto, o maior perigo está nos algoritmos de serviços como Facebook e Google. Eles cercam nossos hábitos e nos viciam em determinados tipos de consumo e repertórios de ideias.

Muito além de deixarmos pistas sobre quem somos e o que fazemos, somos condicionados quanto ao que viremos a ser e a fazer. Big Brother? Claro que sim. Mas acompanhado de uma espécie de Big Father, que nos leva pelo nariz.

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