segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

A casa das estrelas e as fábricas de zumbis

"Ainda pequeno tive que interromper minha educação para ir à escola", disse George Bernard Shaw (1856-1950). O famoso dramaturgo irlandês é autor de várias frases espirituosas como esta. Mas talvez jamais as produzisse se dependesse da “pedagogia” do século 21.

É que “zumbis” não costumam ser muito criativos. E é este tipo de aluno que os “modernos” meios didáticos estão gerando. O mais novo ingrediente dessa produção é a ritalina. Trata-se de substância receitada por médicos para tornar cérebros infantis e adolescentes mais concentrados nos estudos.

É o que revela o artigo “Ritalina, a droga legal que ameaça o futuro”, de Roberto Amado, publicado no blog Diário do Centro do Mundo, em 25/11. Segundo o texto, “com efeito comparável ao da cocaína, a droga é receitada a crianças questionadoras e livres”. Sob seu efeito, a criança “para de viajar, de questionar...”.

Mas a droga é só mais um produto da ditadura da competição capitalista. A mesma que transforma escolas em fábricas de “robozinhos sem emoções”.

A frase de Shaw está na introdução do livro "Casa das estrelas: o universo contado pelas crianças", de Javier Naranjo. Recém-lançada no Brasil, a obra colombiana contém definições de crianças pequenas para várias palavras. O nome do livro, por exemplo, surgiu da definição de um garoto para a palavra Universo.

O livro mostra elaborações criativas, que ganham sentidos poéticos e adivinham o sentido profundo de certos conceitos. É o caso da definição de Igreja: “Onde as pessoas vão perdoar Deus”. Ou de Solidão: “Uma novela de televisão”. Ou ainda de Professor: “É uma pessoa que não se cansa de copiar”.

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