sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Metrópoles, máquinas capitalistas de caos

O geógrafo marxista David Harvey esteve no Brasil. Fez palestras e concedeu entrevistas. Em todas elas apontou as grandes cidades como lugar da desigualdade social e do caos. A raiz desse problema ele apontou resumidamente em excelente entrevista ao Canal Ibase:

O interesse que o capital tem na construção da cidade é semelhante à lógica de uma empresa que visa ao lucro. Isso foi um aspecto importante no surgimento do capitalismo. E continua a ser.

Não custa lembrar uma passagem do Manifesto Comunista, de Marx e Engels:

A burguesia submeteu o campo ao domínio da cidade. Criou cidades imensas, aumentou enormemente sua população em comparação com a do campo, arrancando uma grande parte da população do isolamento da vida rural.

Os patrões precisavam dos trabalhadores aglomerados. À disposição para serem explorados em grandes unidades fabris. Além disso, a elevada competição barateava o preço de sua força de trabalho. E o consumo ganhava escala, turbinando os lucros.

Mais de um século e meio depois, essas determinações econômicas transformaram a vida urbana em um inferno. A maior vítima, claro, é a enorme maioria pobre. Mas dos engarrafamentos quilométricos só escapa uma minoria a bordo de helicópteros. Não à toa, as manifestações de junho tiveram como estopim a questão do transporte público.

Contra a exploração, o Manifesto chamava os trabalhadores a se unir e agir. Contra o cenário urbano apocalíptico, Harvey espera algo parecido: “O conselho que dou a todos é ir para as ruas o mais possível, enfrentar a desigualdade social e a degradação ambiental”.

As causas das jornadas de junho continuam todas aí. Há uns 200 anos.

Leia também: A duvidosa qualidade dos números sobre qualidade municipal

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