quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

A PM que mata e a PM que morre

A Agência Pública publicou “396 mortes pela PM paulista: as histórias por trás dos BOs”. A reportagem de Ciro Barros, Iuri Barcelos e José Cícero da Silva analisou 330 boletins de ocorrência relacionados a 396 mortes por intervenção policial em São Paulo, em 2014.

Os resultados mostraram o que já se sabe. A grande maioria das vítimas dos policiais eram jovens negros, entre 15 e 29 anos. Além disso, os dez bairros mais ricos de São Paulo registraram uma mortalidade policial 27 vezes menor que nas outras regiões. Portanto, os dados voltam a confirmar que as vítimas da polícia têm idade, cor e endereço bem definidos.

Mas há uma informação que merece atenção. Enquanto 396 vítimas civis foram mortas, nenhum PM morreu e apenas 17 ficaram feridos. Por outro lado, no ano passado, oito policiais militares morreram em serviço e outros 129 ficaram feridos. Mas “a maioria desses casos não ocorreu em situações envolvendo mortes de civis pela PM”, diz a matéria.

Esses números desmentiriam a ideia de que a alta letalidade policial resulta de ações contra bandidos fortemente armados e violentos. Além disso, mostrariam que há alguns setores da PM encarregados de executar criminosos ou suspeitos e outros, abandonados à sua própria sorte.

Em comum entre os que morrem e os que matam, salários baixos e origem pobre. A diferenciá-los o apoio que os últimos recebem da alta hierarquia, desde o governador aos coronéis. Para estes, só importa que os mortos, civis ou militares, continuem a ser os mais pobres e pretos.

Como alertou o jurista Eugenio Zaffaroni, à criminalização da pobreza, corresponde sua “policização”.

Leia também: A criminalização da pobreza e sua “policização”

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