terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Ocupar as escolas, educar para a liberdade

Publicada em abril de 2014, a pílula Escolas públicas, só para minorias disciplinadas tinha como tema um estudo da Fundação Lemann que atribuía grande parte dos problemas do sistema escolar nacional à indisciplina reinante entre a maioria dos alunos.

Segundo aquela pesquisa, a escola pública estaria muito bem se a grande maioria de seus alunos não atrapalhasse. Mas, na verdade, dizia o texto, é exatamente o comportamento dessa maioria que atesta a falência do modelo educacional moderno, inspirado em quartéis, mosteiros e hospícios.

Afirmava, ainda, que a saída para esta situação viria da rebeldia que o próprio sistema provoca. Não a revolta cega, mas aquela que liberta a criatividade necessária a qualquer verdadeiro processo de aprendizado.

Desde o início de novembro passado, os estudantes da rede pública estadual de São Paulo vêm ocupando suas escolas. O objetivo imediato era impedir o fechamento de 93 unidades programado pelo governo Alckmin. Mas o número de escolas ocupadas já chega a quase 200.

Diante do ataque a suas comunidades escolares, os estudantes se descobrem questionadores de um modelo educacional autoritário. Inventam atividades didáticas, organizam debates, descobrem material e equipamentos abandonados e mofando em salas trancadas.

Em resposta, o governo tucano utiliza a violência policial, única política que conhece para os mais pobres.

Infelizmente, é provável que essa saudável onda de rebeldia seja esmagada pela truculência policial combinada às mentiras e traições em que se especializou a política institucional. Mas, mais uma vez, nossas escolas públicas terão provado que podem superar os limites que o poder tenta lhes impor e podem educar para a liberdade.

Um comentário:

  1. Acho que fazia muito tempo em que não víamos as escolas educando para liberdade. Valeu!

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