quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Pedagogia da bala e do cassetete

Praça do Conhecimento, Nova Brasília, Complexo do Alemão, Rio de Janeiro. É lá que fica a escola Theophilo de Souza Pinto. Dentro da escola, uma Unidade de Policiamento Pacificadora (UPP). São cerca de 70 buracos de balas nas paredes do prédio, segundo reportagem da agência Pública, publicada em 30/11.

Pavuna, Rio de Janeiro, Colégio Estadual Jornalista Rodolfo Fernandes. Inaugurado em março de 2014, conta com 796 alunos. “Desde maio deste ano, cinco deles morreram baleados, quatro por tiros disparados pela Polícia Militar”, diz reportagem do Globo, em 02/12. Entre eles, Carlos Eduardo da Silva de Souza, de 16 anos, um dos cinco jovens fuzilados pela PM com mais de 100 tiros dentro de um automóvel, em 28/11.

“A gente já está acostumado com isso”, disse um aluno de 17 anos, colega de turma de “Carlinhos”, à mesma reportagem.

Desde novembro, estudantes paulistas iniciaram uma onda de ocupações em escolas da rede estadual pública contra o fechamento de 93 delas.

Madrugada de 02/12, escolas estaduais República do Suriname, no Itaim Paulista, e Coronel Sampaio, em Osasco. Na primeira, diz o Diário do Centro do Mundo:

... o marido da diretora da escola junto com um grupo de pessoas encapuzadas invadiu a ocupação e tomou a escola. Em Osasco, a invasão foi comandada por grande número de policiais e na manhã de hoje a escola foi aberta para a imprensa completamente destruída. Até fogo foi ateado e a culpa, obviamente, atribuída aos alunos.

Segundo Michel Foucault, a escola moderna é produto da mesma lógica que criou prisões, hospitais, quartéis...

Foucault é para os fracos, diriam nossos governantes.

Leia também: Ocupar as escolas, educar para a liberdade

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