quarta-feira, 10 de agosto de 2016

A humanidade no nível da levedura de cerveja

É comum que o capitalismo seja considerado uma “ordem social competitiva”. E muitos identificam nessa dinâmica apenas uma derivação de leis naturais. A competividade estaria nos genes de plantas e bichos. A cooperação seria uma exceção que tende a produzir espécies frágeis.

Não é isso, porém, que mostram recentes pesquisas divulgadas pela revista “Scientific American”. Sob o título “Pesquisa sugere que altruísmo é favorecido pelo acaso”, a reportagem relata descobertas feitas por pesquisadores das Universidades de Bath, Manchester e Princeton.

Os experimentos foram feitos com uma população composta por colaboradores e trapaceiros. Estes últimos ao invés de trabalhar para o conjunto, apenas parasitam o trabalho alheio. Pelos padrões darwinistas mais aceitos, os vagabundos tenderiam a prevalecer.

Mas aí é que surgem os problemas. Quando os trapaceiros se tornam maioria, há menos produção de alimentos e a existência de todos fica ameaçada. Enquanto isso, “mais cooperadores significa mais comida para todos e uma população maior”, concluem as pesquisas.

No caso das espécies estudadas, no entanto, o acaso é determinante. Afinal, se trata de levedura de cerveja, forma de vida que está longe de possuir qualquer nível de consciência. Como fica, então, a situação de nossa espécie, com sua elevada capacidade mental?

Bom, basta olhar à nossa volta. Os trapaceiros são, na verdade, uma pequena minoria. Apesar disso, são eles que ficam com a maior parte do que produz a grande maioria. Não são os acasos da natureza que poderão mudar isso. É a ação consciente.

É por isso que Marx afirmava que ainda vivemos na pré-história da humanidade. Pouco abaixo da levedura de cerveja, poderíamos completar.

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