quarta-feira, 17 de agosto de 2016

As maravilhas do porto para os atuais escravocratas

Em 09/08, Adriano Belisário publicou “A outra história do Porto Maravilha” na Agência Pública.

Um resumo:

Escolhido como sede olímpica, o Rio de Janeiro escolheu sua região portuária para passar por uma grande “revitalização”.

São 5 milhões de Km2 englobando três bairros inteiros e pedaços de outros quatro. Mais de 60% de seus terrenos pertenciam à União.

Os terrenos privados representavam apenas 25% da área. Estado e município detinham aproximadamente 6% cada um. O restante era da União.

Segundo o Censo de 2010, dos 10.098 domicílios da região, apenas 611 possuem renda maior que três salários mínimos. O morro da Providência reúne a maior parte dos moradores, concentrando 1.237 domicílios.

A ideia inicial era formar um consórcio público para reabilitar a área, incluindo a construção de moradias populares.

Mas a proposta foi engavetada pelos governos municipal, estadual e federal. No lugar dela, foi adotado um plano elaborado pela OAS, Odebrecht e Carioca Christiani Nielsen.

Em 2006, a área já havia sido oferecida por Cesar Maia para Parcerias Público-Privadas. Em 2009, as empreiteiras agarraram a oportunidade.

A Caixa Econômica Federal injetou R$ 3,5 bilhões do FGTS dos R$ 5 bilhões necessários à totalidade da operação. O mercado entraria com o resto.

O mercado não entrou com o resto. Nosso FGTS desembolsou mais R$ 1,5 bilhão. Eduardo Cunha teria levado R$ 52 milhões em propina para intermediar a operação.

Mesmo assim, os “investidores” privados da área ganharão isenção de impostos como IPTU e ISS por dez anos.

Mas tudo isso é muito coerente. É a região em que aportaram tantos navios negreiros revitalizada para os escravocratas contemporâneos.

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