terça-feira, 23 de agosto de 2016

Rumo ao volume morto nacional

O Rio de Janeiro pretende privatizar seus serviços de saneamento básico. Bahia e Espírito Santo, também. Mas parece que é só o começo.

Segundo Luiz Roberto Moraes, professor da Universidade Federal da Bahia, o tratamento de água e esgoto está para se tornar um grande “ambiente de negócios” no País. Especialista da área, Moraes concedeu entrevista para Maíra Mathias, publicada na revista da EPSJV/Fiocruz, em 17/08.

A política de saneamento básico, afirma ele, deve integrar “um pacote de concessões proposto pela União como parte do Programa de Parcerias de Investimento”. É o PPI, sigla nova para a velha privatização.

O entrevistado também diz que o capital privado está de olho, principalmente, em abastecimento de água e esgotamento sanitário, serviços que são tarifados e podem gerar grandes lucros.

O saneamento no Brasil alcança menos da metade dos lares. Mas entregá-lo à iniciativa privada é enterrar de vez a possibilidade de sua universalização. Que capitalista vai investir em esgotos em áreas pobres? Em nenhum lugar do mundo isso funcionou.

O depoente cita estudo feito por Marcelo Libânio, da Universidade Federal de Minas Gerais. O levantamento mostra que “os municípios onde a prestação do serviço de água e esgoto era feita pela autarquia municipal apresentavam os melhores indicadores para a sociedade”.

O contraexemplo vem do governo paulista, que vendeu ações da Sabesp nas Bolsas São Paulo e Nova Iorque. Uma consequência foi a diminuição dos investimentos em infraestrutura para enriquecer acionistas privados. A outra, uma crise hídrica que não apenas continua como ameaça se espalhar.

Lembram do volume morto paulista? A próxima vez pode ser em nível nacional.

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