sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Carta ao século 19: selvagem igualdade

Concidadãos, volto a escrever diretamente do século 21. Desta vez, para dizer-lhes que o livre comércio domina o globo. Dão-lhe o nome de capitalismo, hoje em dia. Um sistema que levou a humanidade a passar por uma verdadeira revolução.

Nunca se viu tamanha mobilidade social. Um sujeito pode nascer na pobreza e tornar-se milionário! É raro que lhe sejam interpostos obstáculos ligados a parentesco, ofício, casta, estamento, etc. Mas é enganoso pensar que os princípios da liberdade, igualdade e fraternidade imperam.

Ocorre que a possibilidade de fazer fortuna é regulada pela competição. E esta é cada vez mais selvagem e cruel. São poucos os que sobrevivem a ela com dignidade. Por outro lado, são menos ainda os que têm condições de ao menos competir, tão enormes e poderosos são os monopólios que disputam o mercado.

O planeta chegou a uma população de vários bilhões de pessoas. Destas, apenas cerca de 2% controlam quase toda a riqueza produzida pelo restante. Assim, a igualdade nivela a grande maioria pela exposição à mais brutal exploração. A fraternidade inexiste entre os de cima e é recurso extremo a que apelam os de baixo para sobreviver e resistir. A liberdade transformou-se em desamparo e fragilidade em um ambiente tão eivado pelas hostilidades.

Verdade que a vergonhosa instituição da escravidão deixou de existir. Mas, um dos elementos mais utilizados na cruel competição que vigora são os preconceitos de raça. Já quase não há quem os defenda abertamente. No entanto, os não brancos, especialmente os negros, figuram entre as vítimas mais atingidas pela feroz exploração imposta pelo livre comércio.

Assusta ver como princípios tão belos transformaram-se em pesadelo.

Leia também: Cartas ao século 16

2 comentários:

  1. O Capitalismo apenas limpou a consciencia dos donos de engenho e abafou a revolta dos explorados. A Escravidão persiste.

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  2. Esse ambiente selvagem de competição que o capitalismo nos colocou nos levará de volta ao passado. Do jeito que as coisas vão qualquer dia os bairros mais nobres se tornarão feudos e serão cercados por grandes muralhas enquanto os famintos se digladiam por comida do lado de fora...

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