sexta-feira, 6 de julho de 2012

Arrocho salarial e lavagem cerebral

Arrocho salarial é o nome das perdas econômicas dos trabalhadores em relação à inflação. Em geral, quem ganha com ele são os patrões. Os privados e os públicos. O conceito foi desaparecendo a partir de 1994.

Nesse ano, começou a ser implantado o Plano Real. A inflação diminuiu bastante. Na realidade, os preços foram congelados pelo pico e os salários pelo piso. Mas o alívio geral tornou quase proibido falar em correção salarial.

Era o fim das correções automáticas de preços. Será? Não é o que diz Maria Lucia Fattorelli, em boletim da Auditoria Cidadã da Dívida, de 03/07:

... a partir de 1995, enquanto os salários dos trabalhadores ficaram congelados, a atualização da dívida pública tem sido feita de forma automática, mensalmente, e por índices calculados por instituição privada (Fundação Getúlio Vargas) que tiveram variação muito superior ao índice oficial de inflação do país (IPCA)

Os capitalistas passaram a lucrar menos com a inflação. É muito mais negócio, agora, investir em títulos da dívida pública. Pagam os mais altos juros do mundo e retiram renda da maioria da sociedade sem que ela note. Maria Lúcia dá um exemplo:

Enquanto o governo e a imprensa fazem um verdadeiro terrorismo diante da hipótese de gastar R$ 279,8 bilhões em 2012 com toda a folha de trabalhadores de todos os órgãos federais ativos, aposentados e pensionistas, nada se fala do gasto com a dívida pública, superior a R$ 2,1 bilhões POR DIA!

Lavagem cerebral é outro conceito que quase ninguém usa mais. Exatamente porque já funciona com perfeição.

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