quinta-feira, 19 de julho de 2012

O domínio da teologia da mercadoria

O último censo do IBGE mostrou que o catolicismo continua sendo a religião da maioria, mas perdeu quase 1,7 milhão de adeptos desde 2000.

Em 17/06, o sociólogo Antônio Flávio Pierucci afirmou em artigo para a Folha que “os agentes da religião não passam de agentes econômicos, e as igrejas, de empresas”. Situação para a qual as denominações evangélicas estariam melhor preparadas. Principalmente, as neopentecostais.

Em 06/07, José Eustáquio Diniz Alves publicou “A vitória da teologia da prosperidade” na Folha. Ele afirma que no lugar da católica “opção preferencial pelos pobres”, impera a doutrina de Joãozinho Trinta: "Pobre gosta é de luxo". Tal situação revelaria um “Brasil cada vez mais desencantado".

O conceito de desencantamento do mundo é de Max Weber. Costuma ser interpretado como o crescente domínio da racionalidade capitalista na vida moderna. Mas há quem diga que isso não implica menos religiosidade. É o caso de Renarde Freire Nobre, professor da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFMG.

No texto “Weber e o desencantamento do mundo: uma interlocução com o pensamento de Nietzsche”, Nobre lembra que Weber chamava de desencantamento ao predomínio de religiões éticas. Ou seja, aquelas que recomendam a adoção de certos comportamentos a seus fiéis no lugar de rituais mágicos com objetivos práticos e imediatos.

Se Pierucci e Diniz estão certos, as religiões que mais avançam são exatamente as que retomam o caráter mágico que o catolicismo e o protestantismo tradicionais repudiam. De qualquer maneira, parece que estamos diante o fortalecimento da mais poderosa das superstições. É a teologia da mercadoria.

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