quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

A fé dos melhores ateus e o ceticismo dos piores crentes

Há algum tempo, o ateísmo vem sendo tratado com certa intolerância. É como se fôssemos inimigos daquilo em que nem acreditamos. Ainda que isso seja verdade para gente como Richard Dawkins e Cristopher Hitchens, que teimam em ofender religiosos em geral.

Mas a incapacidade de aceitar os céticos também é baseada em uma espécie de ceticismo. Muitos religiosos, místicos, esotéricos agarram-se a suas crenças porque descreem da espécie humana. Para eles, a humanidade é sempre culpada e jamais poderá provar o contrário.

Por outro lado, muitas vezes, a orfandade dos descrentes torna necessária e firme sua aposta nos seres humanos. Não como espécie destinada ao sucesso ou à supremacia universal. Nem na condição de ser racional, armado de verdades científicas inegáveis. Já erramos demais adotando essas crendices.

Desde que nos tornamos bichos humanos fizemos coisas gigantescas. A maioria delas, com resultados trágicos, é verdade. E nos últimos 300 anos, nos tornamos perigosos para a sobrevivência de nossa própria espécie e de outras. Mas muitos dos que não creem se negam a delegar a responsabilidade pelo que já fomos, somos e seremos.

Esta é a fé dos melhores ateus. Muito superior à crença no sobrenatural por parte de quem tem como certa a maldade da natureza humana. Adeptos de líderes que, de suas catedrais e templos luxuosos, vivem nos convidando a olhar para um abismo que eles mesmos habitam.

Que assim não seja!  

Leia também: Christopher Hitchens e o fanatismo ateu

4 comentários:

  1. SEr ateu pode significar um sacrifício, sacrifício este q pode valer a pena. O cerne do mesmo é saber distinguir q há pessoas e pessoas, e numa multidão em que vemos tantos em quem não se deposita nenhuma confiança, há (não raro) aqueles em q poderemos depositar toda a nossa esperança.
    Afinal, a natureza humana não é só maldade, o q distingue os maldosos dos bondosos - na falta de melhores palavras - é a balança: em uns, predomina o lado mau, no outro, o bom. Vejo isso, e também racionalizo q muito das classificações q fazemos do outro tem o peso egocêntrico da relativização de juízo de valor.
    Um bom texto, simples e direto.
    Salete

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