terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Na internete, somos nossos próprios “arapongas”

O Habeas Data é uma ação jurídica que permite ao interessado acessar seus registros pessoais em arquivos de entidades públicas ou de caráter público.

Através desse instrumento legal muitos militantes de esquerda conseguiram acessar suas fichas nos arquivos dos órgãos de repressão. Segundo alguns deles, o nível de detalhamento é muito alto. São informações precisas sobre encontros e reuniões, participação em eventos, em lutas e outras ações etc.

O número de agentes policiais para chegar a esse nível de precisão devia ser grande. Mas, hoje, o Estado já não deve utilizar tantos “arapongas”. Não porque se interesse menos pelo que fazem os ativistas de esquerda. É que os próprios militantes fazem o grosso desse serviço.

Como diz Julian Assange, “a internet se transformou no maior instrumento de vigilância já criado e a liberdade que ela representa está ameaçada”. O criador do WikiLeaks fez esta afirmação em uma entrevista concedida ao Estadão, em 03/02.

Assange afirma que “as pessoas estão fazendo bilhões de horas de trabalho gratuito para a CIA”. Afinal, diz ele, “mesmo que você não esteja no Facebook, seu irmão está e está relatando sobre você”. Assange exagera para valorizar seu próprio negócio: vender informações vazadas.

Google e Facebook são muito mais indutores de comportamento conformista que ferramentas de vigilância política. O que não impede que venham a negociar essa montanha de dados com governos.

Mas não é o caso de deixar de usar a internete. Seria como se recusar a imprimir jornais e panfletos porque cairiam nas mãos dos aparelhos de repressão. Combater a ordem é inseparável da convivência com esses riscos.

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