terça-feira, 27 de janeiro de 2015

As serpentes no berço do Syriza

A Grécia é considerada o berço da civilização ocidental. Também teve seu momento de glórias militares. Sob o reinado de Alexandre, conquistou um império que ia dos Balcãs à Índia, incluindo o Egito e o atual Afeganistão.

Veio a decadência e os gregos chegaram a ser dominados pelos turcos por 350 anos. Um pouco depois de livrar-se do domínio estrangeiro, porém, o país caiu nas garras do fascismo, derrotado em uma dura guerra civil.

Mas as agruras gregas estavam longe de terminar. De 1967 a 1974, o país sofreu sob a ditadura dos coronéis. Nem mesmo aqueles que são considerados os inventores da “democracia” foram poupados da onda de ditaduras impostas pela Guerra Fria.

A volta da democracia não impediu que outra tragédia caísse sobre o povo grego. O país deixou-se levar pela mitologia neoliberal de uma Europa unida pela força do dinheiro. Em 2008, caiu vítima da mais terrível onda recessiva de sua história.

Desde então, os trabalhadores gregos resistem bravamente, realizando greves gerais e manifestações. Sob forte repressão, recusam-se a aceitar que a maioria explorada pague pela crise. No último dia 25/01, deram um passo a mais nesta luta. Elegeram um governo que promete se livrar da política de austeridade neoliberal que castiga o povo há seis anos.

O maior herói helênico é Hércules. Ainda bebê, estrangulou duas serpentes colocadas em seu berço. A vitória do Syriza é a mais nova esperança grega. Não nasceu filho de Zeus, mas da plebe, fortalecida pelas lutas das ruas. Também está cercada por serpentes venenosas. Entre elas, as ilusões em mudanças profundas pela via institucional.

Leia também:
Os três cavaleiros do apocalipse europeu

2 comentários:

  1. Sergio, vejo com otimismo governos de frente de esquerda como os da Grecia e do Uruguai. Acho que é uma saída para as esquerdas no mundo. Pelo que posso deduzir parece que você também entende ser esta a melhor possibilidade. Mas, no Brasil, parece que este caminho é muito difícil.

    ResponderExcluir
  2. Também estou otimista. Mas acho que o caso uruguaio e gregos são diferentes. Na Grécia a vitória foi resultado de um processo extremamente radicalizado no coração de uma das regiões mais poderosas do mundo. E meu otimismo é menos com o governo eleito que com as contradições que certamente vai causar. Resta saber se haverá como aproveitá-las.
    Braço!

    ResponderExcluir