Em 01/02, o insuportável William Waack apresentava mais um “Globo News Painel”.
O tema era “Políticas de austeridade e seus efeitos”. Os convidados, como quase
sempre acontece, eram especialistas ligados ao mercado e acadêmicos fãs dele.
Durante uma discussão sobre semelhanças entre Brasil e Grécia, todos
concordaram quanto às diferenças entre as situações econômicas dos dois países.
Mas um dos participantes, o economista Paulo Rabelo de Castro, sugeriu que
aqui, como lá, medidas de austeridade já vêm sendo adotadas há muito tempo.
Segundo Rabelo, a política econômica é a mesma desde FHC. Trata-se da
combinação superávit primário e juros altos. E citou a contribuição petista
para a continuidade dessa história. Há dez anos, disse ele, o Brasil vem
mantendo uma média de 3% do PIB destinado ao superávit primário. Algo que
nenhuma economia do mundo fez, garantiu.
O superávit primário representa uma enorme sangria dos recursos públicos. São
cerca de R$ 67 bilhões embolsados anualmente por 20 mil famílias através
dos títulos da dívida pública brasileira. O Bolsa-Família paga R$ 25 bilhões a 14
milhões de famílias.
Rabelo é presidente da SR Rating, uma agência de avaliação de risco. Também
afirmou ter se formado na mesma escola que Joaquim Levy, o atual campeão das
medidas de austeridade do governo Dilma. Nem um pouco inclinado a radicalismos
esquerdistas, portanto.
Já a realidade, esta, sim, é radical. Em 2014, o setor industrial sofreu queda
de 3,7%, mas o bancário cresceu 18%. Mesmo assim, os governistas continuam
dizendo que Dilma descontentou os banqueiros. E a oposição afirma que precisamos
de mais austeridade. Caminham separados na mesma direção.
Leia também: A “austeridadezinha” da ortodoxia
petista
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