quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

A polícia brasileira alcança suas metas matando

Em três dias, "quinze mortos" em Salvador, relataram alguns jornais, recentemente. Como sempre, as vítimas eram jovens, negras e pobres. Supostos suspeitos, julgados e executados em um só e rápido movimento pela polícia.

A excelente reportagem “O fracasso de um modelo violento e ineficaz de polícia” mostra que episódios desse tipo estão longe de ser isolados. Escrita por Fernanda Mena e publicada no caderno Ilustríssima em 08/02, a matéria traz novas informações que confirmam uma velha tragédia.

Um exemplo é o conteúdo da seguinte gravação: "A gente nem começou a bater em vocês e já tão chorando?". A voz é de um policial dirigindo-se a dois adolescentes negros detidos como suspeitos de praticar furtos na região central do Rio.

Logo depois, a mesma voz volta a ser ouvida: "Menos dois. Se a gente fizer isso toda semana, dá pra ir diminuindo. A gente bate meta, né?". Referia-se à eliminação dos dois garotos. Mas o alcance da “meta” ficou comprometido, pois um dos adolescentes “sobreviveu porque conseguiu se fingir de morto mesmo ao ser chutado por um dos policiais”.

Difícil encontrar exemplo mais claro das práticas de extermínio adotadas por nossa “segurança pública”. A matéria revela que mais de 2.200 pessoas foram mortas pelas polícias brasileiras, em 2013. No mesmo período, a polícia norte-americana matou 409.

Os comandantes das forças repressivas locais justificam esta disparidade apontando outra. Dizem que aqui temos seis vezes mais homicídios do que nos Estados Unidos. Por esta lógica, o policial da gravação não deixa de ter suas razões. Em uma fábrica de mortes, é sempre importante “bater meta, né?”

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