quarta-feira, 26 de abril de 2017

A solidariedade de classe na origem da previdência social

Quando a industrialização começou, os trabalhadores não contavam com um mínimo de proteção legal. A jornada de trabalho era determinada pelo patrão. Salário-mínimo, indenização por demissão, aposentadoria, seguro acidente-de-trabalho, nem pensar. 

Se alguém fosse demitido e não arranjasse logo outra ocupação, sarjeta. Se um acidente impedisse o trabalho por semanas, mendicância. A morte de um dos que sustentavam a família podia encurtar a vida dos sobreviventes. Pobre, a partir dos 7 ou 8 anos de idade, ia pra fábrica. Não tem dinheiro para fazer o enterro? Vem daí a expressão “não tem onde cair morto”.

Resumindo, era uma “terra sem lei”. Ou melhor, valia a lei do patrão. Mas pode chamar de “Lei do Cão”.

Diante disso, os trabalhadores começaram a organizar caixas de auxílio-mútuo. Cada um contribuía com um pouco, de tempos em tempos. Quando alguém precisasse em momentos de desemprego, acidente, invalidez, viuvez, orfandade, podia contar com aquela economia surgida da solidariedade dos trabalhadores. Era pouco e por pouco tempo, mas muitas vezes evitava o pior.

A Previdência Social foi surgindo da junção dessas caixas de auxílio. Não eram mais apenas caixas de ferroviários, portuários, tecelões, metalúrgicos, bancários. Foram unificadas para que o máximo de trabalhadores pudesse contar com algum auxílio.

Mas o grande volume de dinheiro reunido por esse sistema despertou a cobiça dos poderosos. A história da Previdência Social é também disputa pelo controle de seus recursos. De um lado, a rapina de governos e patrões. De outro, a solidariedade dos explorados.

É isso que estamos vendo acontecer novamente. Defender a solidariedade de classe sempre exigiu e vai continuar exigindo muita luta!

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